Quarta-feira, Abril 04, 2007

O verdadeiro recheio do ovo

Nesse clima de Páscoa, de segredos escondidinhos e madrugadas recheadas de surpresas, pegadas e ovos de coelho pelos cantos da casa, percebo que a crença das minhas pintinhas no coelho está enfraquecendo. E os sinais são tão óbvios que, por mais que eu ame a data, não dá para negar.
Dia desses, comentei aqui no blog que elas me ajudavam a fazer biscoitos e a Sofia mexia na farinha, lembrando que "era disso que eram feitas as pegadinhas do coelhinho!" Senti ali uma certa desconfiança. Fora que, todo dia, elas comentam que este ou aquele colega disse que coelhinho não existe. Para completar, é aquele bombardeio da mídia, com ovos recheados de brinquedos de tudo que é tipo, mostrando um lado tão comercial da Páscoa, que desanima e até fica difícil manter essa magia tão lúdica, doce e infantil.
Outra noite, me bati contra a janela, acordando sobressaltada, lembrando que não tinha posto os ovinhos na sala. O barulho foi tão alto, que aí é que não coloquei mais nada, porque achei que alguém acordaria. Pensei, sonolenta, que elas já nem ligam tanto pra isso. O coelho já havia colocado pães de mel decorados de coelho para o café da manhã do sábado. Cenouras de plástico com doce dentro das botas delas. Ovos com pegadas. Acho que nem estão esperando nada hoje. E voltei a dormir.
Mas, no outro dia, a tristeza da Nina ao ver que não teve visita do orelhudo, me deixou mais abalada que a janela da madrugada. Percebi, nas entrelinhas, que o fato do coelho não ter estado logo no dia depois de ter escrito sua cartinha para ele tinha sido mais que uma decepção. Ela não só ainda acreditava no coelho, mas também estava achando que ele não gostava dela, por não ter ido lá em casa.
Foi então que caiu a ficha. Lembrei que, dia desses, elas disseram "será que o coelhinho entrava na cozinha, se sujava de farinha e fazia as pegadinhas?" Ou, quando viram uma loja cheia de brinquedos que elas queriam no natal, perguntaram se o papai noel não comprava ali e entrava disfarçado para isso. Percebi que a fé na magia da Páscoa e do Natal iria permanecer, mas só porque elas queriam. Mesmo que a mídia, os coleguinhas ou as evidências mostrassem que isso tudo são lendas (que foram criadas, em sua essência, para que o mundo pudessem trazer mais alegria e encanto para a infância, eu quero acreditar.)
Eu sorria, finalmente. Enquanto fazia, bem animada, um enorme caminho de pegadas e mini-ovos coloridos, por toda a sala nessa madrugada que passou.

posted by Ale
5:45 PM
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