Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007
Mãe e filhas recomendam
Dia desses, fomos à livraria. Entre livros coloridos e lúdicos como os da Bruxa Onilda, Fada Pérola, Clara Luz e tantos outros, A Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga, foi parar nas minhas mãos. Um livro com poucas ilustrações e impresso em preto não seria definitivamente a escolha das pintinhas, mas foi a minha. Levei, além desse, Mania de Explicação (Adriana Falcão) e Ou isto Ou aquilo, da Cecília Meireles. Elas escolheram historinhas de gatinhos e cachorrinhos, que amam.
Resolvi ler antes de contar, uma espécie de censura dos pais, que pode preceder ou acontecer simultaneamente à leitura (lembra que os adultos demoravam para contar certas partes? Pois, então. Estavam improvisando nessa hora.). A Bolsa Amarela foi lida na mesma noite.
Encantada, terminei as cento e poucas páginas da história de Raquel, a menina que conseguiu colocar as suas vontades dentro da bolsa amarela e do galo Afonso, que não queria ser o que todo mundo já tinha designado para ele: um galo "tomador-de-conta-de-galinha".
As gurias, que me viram lendo, queriam ouvir logo também. Na outra noite, li o primeiro capítulo e elas não queriam mais parar. Cada noite, um capítulo. Às vezes, dois. Risadas. Suspense. Perguntas incríveis surgiram: como se coloca uma vontade dentro da sacola? Por que ela pesa? Como alguém costura o pensamento de outra pessoa?
Durante todos esses dias, elas juntaram alfinete de fralda (ou joaninha, como se diz aqui no Sul), disseram para o fecho da mochila enguiçar e deram o nome de "Geraldo" e "Arnaldo" para os príncipes das Barbies.
Essa bolsa amarela, hein. Tanta coisa dentro: as vontades da Raquel, o galo Afonso, o alfinete de fralda, "a" guarda-chuva, além de um estímulo sensacional à imaginação, através de coisas cotidianas. E o mais importante: o gosto das minhas pequeninhas por uma leitura rica e cheia de qualidade.
posted by Ale
10:10 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007
Mãos Dadas
Tem cheirinho de volta às aulas no ar. Compramos o material escolar (tudo com Barbie, Moranguinho, Winxs e, a bola da vez, O Pequeno Pônei), livros e mochilas. Já colocamos os nomes no material. Deixamos tudo certinho, já dentro da mochila. Revisei as toalhinhas para o lanche e vi que temos que comprar mais: estão manchadas de frutas. Ganharam uma térmica nova hoje e já fizemos as fotos 3 x 4 depois de várias tentativas de "esboça um sorriso, filhinha, mas sem mostrar os dentes, assim ó").
Acho que, no setor material, a etapa escolar está quase completa.
Falo isso porque, agora, enquanto estava sentada na frente do computador, com a cadelinha Jasmim querendo sentar do meu colo - e não para ganhar carinho, mas com a escancarada intenção de morder o teclado - lembrei de um dos últimos dias de aula.
A criançada do pré costuma ir para a aula de transporte escolar. Eram poucas mães que, como eu, levavam e buscavam os filhotes. Só tinha um pequeno problema: a Marina não queria deixar que eu fosse embora quando chegávamos a sua sala. Foi aí que comecei o incentivo para que as duas entrassem sozinhas no colégio. Eu as levaria até a entrada e ficaria acompanhando a entrada das pintinhas. Mas nunca deu muito certo. Elas queriam que eu fosse junto. Queriam ir de mãos dadas com a mamãe, como sempre fora. Então, nós três dávamos as mãos e entrávamos no colégio. No outro dia, eu tentava de novo.
Numa das últimas aulas do ano passado, quando eu estava quase desistindo de estimular que entrassem sozinhas, encontramos algumas coleguinhas que estavam chegando de van para a aula, na maior animação. A Sofia e a Marina largaram a minha mão na hora e correram para junto das amigas. Foram indo na frente e nem olharam para trás. Primeiro, me senti meio largada, como se não fosse tão importante mais. Nem tão necessária. Queriam tanto entrar de mãos dadas, mas abriram mão disso tão fácil, tão rápido.
Segundos depois, enquanto minhas mãos ainda se esfriavam do contato com aquelas mãozinhas queridas, meu coração já foi se esquentando e foi aí que eu entendi.
A independência tinha muito mais coisas boas do que se podia imaginar. Embora não estivéssemos de mãos dadas, sabia que, lá na frente, meu coração acompanhava aquelas duas amadinhas e andava lado a lado com elas. Ele ficava feliz com suas conquistas e isso me bastava. Voltei ao carro sorrindo. E foi assim que não voltei de mãos vazias para casa naquele dia.
posted by Ale
4:28 PM
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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Um passo de cada vez
Só não acha tempo para se exercitar quem não quer. Pensando nessa, que parece ser a verdade universal quando o assunto é maternidade, falta de tempo e corpo em forma, eu subo rapidinho, de bermuda e camiseta, as escadas do escritório lá de casa, onde se encontra a esteira.
Vou colocar as gurias no computador, que fica do lado da esteira e, enquanto acesso a página das Winxs para elas se distraírem, me sinto muito esperta.
Ligo a esteira e começo. Elas estão no jogo do arco e flecha. Eu aumento a velocidade e o passo. Vou caminhando e pensando que isso eu poderia fazer sempre. Agora realmente eu iria ter uma rotina de exercícios, como eu queria há muito tempo! E essa era uma das resoluções de ano novo. Tudo bem, o ano já tinha começado e...
- Mãe, diz para a Sô que agora sou eu.
- Sôôô, tem que dividir com a Nina. - eu faço a intervenção.
Volto animada para os meus pensamentos, lembrando que agora, 2007 poderia até ter começado, mas o ano do porco ainda não começara e eu ...
- Mãe, pra serve esse botão?
- Hum. Deixa eu ver.
Costumo evitar que elas fiquem no computador, é só de vez em quando mesmo e pouquinho tempo. Gosto que elas aproveitem o pátio para brinquedos onde se use a imaginação, que é muito mais gostoso. Então, desço da esteira, vejo o que é e mostro como se faz. Quando volto para a caminhada, mais chamados:
- Como é esse jogo? Não mexe nada aqui!
- Como faz nessa etapa? Eu pulei a cobra e morri!
- Mãe, agora sou eu! É só ela que joga!
Dez minutos depois do início da caminhada, eu parei com o exercício e fui para o jogo. Me juntei às filhotinhas contra os inimigos das Winx. E entendi porque não tinha tentado essa estratégia antes. Realmente, eu não pratico muitos exercícios, não pratico esporte nenhum. Mas esse limite eu já conhecia.
posted by Ale
8:40 PM
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