Domingo, Setembro 24, 2006

O que se vê além dos olhos

Vi na internet, na semana passada, que está acontecendo um grande levante no mundo fashion. E isso não me saiu da cabeça. Não me considero alguém muito ligado à moda, mas o que se viu, chamou a atenção: as modelos com sub-peso foram proibidas de desfilar na Espanha. Iniciativa que pode ser seguida por Milão também. Ou seja, um passo muito importante para que a anorexia e outros sérios distúrbios alimentares sejam menos estimulados entre as nossas meninas. Ao mesmo tempo, empresas de cosméticos como a Natura e a Dove, através de campanhas publicitárias muito legais, têm prestado um maravilhoso serviço à sociedade, se preocupando em valorizar a auto-estima das mulheres, começando pelas meninas, desde cedo. Mostrando que a gente é bonita do jeito que é, não precisando ser magra, loira, ter olhos claros ou um corpo de Barbie para isso.
Falando em olhos claros, lembro que algumas pessoas olhavam para as meninas, quando bebês, e me diziam, aparentando decepção: "que pena que não puxaram aos teus olhos". Eu só respondia que adorava os olhinhos delas e pensava comigo que, me parecendo que algumas pessoas valorizavam tanto os olhos claros, que as minhas duas filhinhas teriam tido mesmo sorte de ter os olhos da mesma cor e não uma com olhos azuis e a outra, com castanhos, para que não houvesse nenhum tipo de discriminação.
Hoje, com esse início de consciência mundial refletindo que a beleza não precisa ser uma coisa padrão, rotulada e etiquetada, eu volto à questão dos olhos e digo: sim, a beleza está nos olhos. Mas não na cor deles. E sim, lá dentro dessa janela da alma que são os olhos. Nesse lugarzinho onde se dá para ver se a pessoa é alguém legal ou não. Para mim, beleza está ali, no contato, no olho no olho, no ser gentil, íntegro. O resto se compra em farmácia, sabe?

posted by Ale
4:25 PM
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Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Caídas de cabeça

Às vezes, parece que é preciso não dormir para acordar para algumas coisas. Pelo menos, em muitos dos momentos onde eu estive bem sonolenta, apareceram idéias e insights interessantes.
Lembro de um período quando as meninas tinham uns dois aninhos. A gente ainda dormia pouco, porque elas acordavam várias vezes durante a noite, como a maioria das crianças pequenas. Eu literalmente caía de sono na hora de contar as historinhas à noite para elas dormirem. Muitas vezes, olhava e via que faltavam muitas páginas ainda e parecia que não ia conseguir ler tudo. Qualquer história era imensa para mim. Logo eu, que sempre adorei ler. Contudo, a última coisa que eu queria era trocar o livro pela tv, porque sei que a leitura ajuda demais no vocabulário, no estímulo à imaginação, na criatividade. Então, teimosa e cansada, eu continuava contando histórias para as pequeninhas, pegando no sono e acordando no susto, com as minhas muitas caídas de cabeça.
Um dia, me dei conta de uma coisa muito simples, mas que foi bem importante: a melhor forma de contar a história até o final era pensar que eu primeiro tinha que acabar a frase que estava lendo. E assim com cada uma das frases que se seguiam. Começava o texto sem pensar nas próximas páginas, mas com o pensamento só até o próximo ponto final. Foi muito bom. Consegui me manter acordada, curtir finalmente esse momento como eu queria e dar uma boa enganada no sono.
Aí, comecei a pensar nisso em outros momentos da vida e vi que poderia utilizar essa forma de pensar para outras coisas. Um jeito de viver o que eu estava fazendo no presente, foi o que me pareceu.
Dia desses, as meninas (agora com 6 anos) estavam fazendo os temas de casa. A Marina estava bem desanimada com a quantidade de figuras que ainda tinha que colorir. Eu pedi, então, que pintasse o cachorrinho primeiro, que pensasse só nele. Ela pintou e ficou tão bonito. - Agora, pinta o gatinho e te concentra só nele, amadinha - pedi. Ele ficou fofo, fofo. - Agora tu podes colorir a menina, só pensa nela.- Fez novamente e, assim, todas as figurinhas estavam coloridas num instante.
Depois desse dia, sempre que estão fazendo alguma tarefa que considerem mais difícil, elas me dizem: "vou pensar nesse pedacinho primeiro, assim vai mais rápido". E eu balanço a cabeça afirmativamente, olhando feliz para essas duas filhotinhas que conseguiram absorver rapidinho uma coisa que eu demorei quase 30 anos para entender e que só finalmente agora consegui, graças a umas boas caídas de uma cabeça dura. ;)

posted by Ale
3:57 PM
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