Sexta-feira, Junho 16, 2006

Vazio que preenche

Quando me descobri grávida de dois bebês, estávamos prontos para colocar um bercinho no nosso apartamento de um quarto. Mas dois berços, mais cômoda, mais tudo, não caberia, não. Então, o jeito foi começar a construir logo, num terreno que ainda estávamos pagando, onde íamos todo domingo, sonhar com a nossa casa. As meninas ficaram 8 meses e 4 dias na barriga. A casa foi parida em exatos nove meses. Foi tirada a fórceps, é verdade. Doeu, como toda obra costuma doer. Mas todos sobrevivemos e crescemos com isso.
Para os poucos móveis que praticamente enchiam o apartamento de um quarto, a casa parecia grande e acabo ficando um "pouco vazia". De quase seis anos para cá, tantas outras prioridades foram mais importantes que essa de mobiliar a nossa casa, que apenas um ou outro cômodo foi decorado. Mas, de todos, o mais vazio é a sala de estar. Digo para o Du que, toda vez que abro a porta para alguém pela primeira vez, sempre espero que me perguntem se estamos de mudança. Ela está vazia. Sim, sem nenhum móvel, nada, nada. Às vezes, me pego numa ânsia boba de querer decorá-la, olhando as promoções de estofados, desenhando posições para móveis imaginários.
Agora mesmo acabei de vir de lá. As pequenas cantavam "É o meu Rio Grande do Sul, sal, sol, sul, terra e cor" e dançavam, fazendo mil passes, sem que nenhunzinho móvel as interrompesse. Lá também elas costumam colocar edredons com as amigas e montam camas no chão. Fazem piqueniques em dias de chuva. Nessa sala, também fazemos ioga, nós três: copiamos posturas fáceis das revistas e fazemos nossas aulinhas. No aniversário delas, dia muito frio e chuvoso, foi onde aconteceram as brincadeiras. Neste cômodo também é onde minha afilhadinha, que aprendeu há pouco a andar, adora correr com a gente e parece que estou vendo aquele pinguinho de gente me puxando do lugar onde eu estiver (e isso inclui desde quarto de brinquedos das meninas até a casinha da cadelinha Jasmim, que ela adora) para que eu vá com ela para a "saia" vazia. Vazia, não.
A sala desprovida de móveis me parece, agora, olhando melhor, decorada de muito bom gosto: gosto de brincadeiras, de música, de dança. Com direito a ecos de risadas de crianças e a gente feliz.
Não precisa mudar nada, não. Essa é justamente a forma de preenchimento que eu estava querendo para a minha casa.

posted by Ale
10:10 PM
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