Domingo, Maio 28, 2006
A desculpa estava na ponta da língua
Sempre que elas vão ao pediatra, ele recomenda: tem que comer feijão, viu, gurias? Elas até que comem, mas não é dos pratos favoritos. Fica naquela categoria de "coisas que eu tenho que comer" e acaba indo na obrigação mesmo. Dia após dia. Mas isso é só para explicar a seqüência de hoje, ao meio-dia.
Aconteceu mais ou menos assim:
Estávamos almoçando em um restaurante.
As meninas tinham os pratos cheinhos de uma massinha que elas adoram.
A Sofia vê o pediatra delas entrar pela porta.
Ela faz uma carinha esquisita.
Então, ela pensa rápido e diz para a mesa toda ouvir:
- Mãe, eu só não me servi de feijão hoje porque não tinha, tá?
posted by Ale
9:58 PM
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Segunda-feira, Maio 22, 2006
Mãe babona é fase que não passa
Mãe, a lua é feita de queijo azul? A Sofia me pergunta agora à noite, enchendo meu dia com um brilho diferente, um sorriso de canto de boca e com aquela cócega na barriga que dá quando a gente olha o céu de noite, em vez que ele está tão grande, tão longe e tão cheio de estrelas, como hoje.
A vontade que eu tenho é de responder que sim, sabe? Dizer que tem lua de queijo azul, assim como tem lua-de-mel, de deixar mais encantador esse mundo da lua.
E, enquanto penso isso, ainda sou capaz de me estufar de orgulho da minha pequena poetisa e ficar como aquela de que falamos, me sentindo lá em cima e na fase mais cheia.
posted by Ale
10:44 PM
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Terça-feira, Maio 16, 2006
Os primatas tinham razão
Hoje veio bilhetinho do colégio, para os pais olharem as cabecinhas dos filhos, pois teria coleguinhas com piolhos na escola. Argh. Começo a me coçar só de pensar em piolho.
Então, depois da aula, da janta, da historinha, do escovar dos dentes, de colocar o pijama, eu fui olhar aquelas cabecinhas. Elas não estavam com muita paciência para o exame, estavam elétricas, conversadeiras e fazendo farra. Parar, assim, um tempinho, nem pensar.
Eu comecei a separar as mechinhas do cabelo da Sofia, colocar para um lado e para o outro, olhar atrás da orelha e na nuca, vira aqui e mexe ali. Ela, sem parar de perguntar: "Deu, mãe?"
Até que eu disse que amava que a vovó Neusa visse se eu tinha piolhos.
- Ué? Por quê?
- Porque eu adoro carinho na cabeça. E olhar piolho, pra mim, é um carinho muito bom. Então, eu queria que ela olhasse sempre.
Eu jurei que fosse sair um risinho, mas, não. A Sofia me disse:
- Mãe, deixa eu olhar piolho na tua cabeça?
- Ai, eu é que quero olhar - a Marina já veio correndo.
Então, as duas bagunçaram bastante o meu cabelo e depois pediram que eu olhasse mais uma vez a cabeça delas. Ficamos um tempinho assim, como a mãe macaca e suas duas miquinhas. Por fim, encerramos a nossa revisão detalhada achando muito legal essa utilidade dos piolhos de proporcionar que a gente fique mais perto dos filhotes, trocando afeto. Nenhuma novidade, não é? Até os macacos já sabiam disso.
posted by Ale
9:29 PM
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Sexta-feira, Maio 12, 2006
Tanto na minha vida para só um pouquinho de você
Mãe, uma das cenas da minha infância que eu mais lembro é de você me tapando de noite. Como se fosse hoje, sinto meu corpo gelado e aquela coberta pesada e quentinha caindo em cima de mim. Depois, tu passavas a mão em cima da coberta, para ela colar em mim, para me aquecer, como um carinho. Eu lembro disso toda noite, quando vou de madrugada puxar o edredon das pitocas e fazer esse carinho que aquece, como tu me ensinaste.
Lembro de você me ensinando que não devemos invadir o espaço do outro, que a nossa liberdade vai até onde começa a liberdade do outro, quando me pegaste lendo o diário da minha irmã. Eu ensino isso para as minhas filhinhas também. Assim como tantos valores tão importantes que me mostraste.
Também lembro do cheirinho das delícias que tu sempre preparavas. Das comidinhas, das sobremesas, das bolachas (e não lembro só das que ficaram durinhas, não, lembro de todas as outras que ficaram tão gostosas), dos bolos. Eu não sei nada de cozinha, então, comecei a fazer umas receitinhas simples, de liquidificador mesmo, nada muito requintado de separar clara e gema, banho-maria, essas coisas. Mas até que dá certo e elas estão amando. É que eu queria muito que elas tivessem essas lembrancinhas gostosas da infância também. E que tivessem boas lembranças de mim, mãe. Porque eu não quero ser uma mãe perfeita, não. Eu nem consigo. Eu só quero ser um pouquinho do que tu foste comigo. Só um pouquinho. Assim, eu sei que posso fazer das minhas filhinhas pessoas mais felizes, como tu me fizeste, com este teu jeitinho jeitinho amado.
Obrigada, minha Neusa, mami amada. E desculpa as lágrimas, viu? É que, tu sabes, eu puxei por ti na categoria "manteiga derretida" e não sei agradecer tudo isso sem encher meus olhos e chorar.
posted by Ale
11:29 PM
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