Domingo, Abril 30, 2006

Chá de bonecas

Ontem foi dia de Chá de Bonecas aqui em casa. A inspiração veio delas. Cada uma convidou uma coleguinha e elas chegaram animadas, carregando a boneca favorita.
Como eu tinha aula à tarde, comecei a pensar no chá na hora que cheguei, ou seja, na hora que as meninas estavam chegando. Então, fiz chá de capim limão e erva doce, servido na mesinha de brinquedo, dentro dos bules e xícaras plásticas, com direito à açúcar no açucareiro de plástico, mexido com colheres de plástico também, uma diferente da outra, com sol do Ninho Soleil, com gênio do Chamyto e outras, do jogo de chá e do jogo de panelas que elas brincam.
A mesa foi enfeitada com balas de goma e celofane rosa que eu tinha à mão, lembrança de aniversário. As cadeiras e os banquinhos, conjuntos da penteadeira e cozinha, de diversas cores, fizeram com que tudo ficasse bem colorido. Depois, fiz um bolo de cenoura que, assado na hora, cheirou gostoso e encheu de aconchego a sala ainda vazia de móveis. A cobertura foi de negrinho e agradou em cheio. Servi biscoitos com guardanapos coloridos.
Elas tomaram chá e conversaram, como velhas comadres. As risadinhas ecoavam na sala.
Depois do chá, andaram de balanço, de bicicleta, de rede. Brincaram de casinha, de supermercado, de Barbie no Castelo das Nuvens e de Moranguinho.
Mais tarde, hora de ir. As mães chegaram e as amiguinhas foram embora pedindo para voltar. Minhas duas amadinhas foram para cama cedo, com sorriso no rosto, dizendo que foi o melhor dia da vida delas.
Elas dormiram e fui tomar uma xícara de chá, pensando em como era fácil transformar uma simples visita de amiguinhas num evento, sem fazer qualquer esforço maior e ainda deixar todo mundo feliz. Inclusive eu.

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9:14 PM
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Quinta-feira, Abril 27, 2006

Panorâmica com dois lados

Acho que a única coisa ruim de crescer é que ninguém mais te pega no colo e te explica as coisas com carinho. Em compensação, uma das coisas mais gostosas de crescer é ser mãe e poder te pegar no colo e mostrar o mundo, contar muitas histórias e saber as tuas impressões amadas sobre tudo isso.





posted by Ale
4:06 PM
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Terça-feira, Abril 25, 2006

Mãe na luta

Então, ela me diz que tem dor de barriga. É quase sempre no mesmo horário, depois do almoço, nestes últimos dias. Faço um chazinho, uma massagem, um carinho e passa. Fica tudo bem.
Mas hoje não foi a mesma coisa, porque como dizem a culpa é sempre da mãe e hoje a mãe estava atrasada, cheia de compromissos, correndo. Mesmo assim, na hora da reclamação da dor, ela ainda fez massagem para dor ir embora. Nada. Mesmo na pressa, sabendo que não iria ter tempo nem para escovar os dentes e mesmo assim já estava atrasada, ainda cantou uma musiquinha para tirar a dorzinha daquela barriguinha bem depressinha. E nada, a criança dizendo que não passava. E falando mais alto, e ameaçando chorar, o que iria atrasar mais ainda todo mundo. A mãe, claro, não iria dar remédio porque sabe que não é físico, é só a dor daquela horinha. Ela entende, sempre entende, mas é que hoje ela está com muita pressa, pôxa.
Então, ela, no calor da hora, decide radicalizar: simula que pega a dor imaginária puxando ela com uma cosquinha da barriga da pequena, aí, com outro movimento exagerado, ela joga a dor no chão com força, então pula em cima da dor, pisoteia, que coisa linda, meu Deus, joga pro alto e dá um sopapo de direita, enquanto diz: - Viu, dor bobalhona, sai da barriga da minha filhotinha querida, humpt!
Tudo vira uma festa e a criança gargalha até balançar a barriguinha, que agora nem dói mais.

posted by Ale
9:39 PM
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Domingo, Abril 23, 2006

Sobre a Jasmim

Jasmim. Mim. Mimim. Amor. Momor. Momore.
Assim são as variações do nome da nossa cadelinha, a paixão das gurias. Elas dão bom dia e um biscoito para ela, depois servem água e comida. Brincam com ela de manhã e justificam de forma muito fofa todas as travessuras que a nossa pequeninha bola de pêlos apronta.
Dia desses, ela pegou o pincel do pintor e saiu correndo. As duas disseram que, pobre cadelinha, só queria ajudar o pintor a pintar a casa. Elas também dão aulas de dança e teclado para a Jasmim, convidam a Momor para ver tv e fazem carinho. São companheiras mesmo, porque a cadelinha pode contar com elas até para ajudar a enterrar seus ossinhos pelo jardim.
Antes de dormir, cantam uma canção de ninar para ela e uma historinha, enquanto fazem cafuné na cabecinha do bichinho.
Então, eu olho para aquela cadelinha com carinha de feliz e lacinho na cabeça, abanando a cauda sem parar e digo:
- Vida de cão, Jasmim? Ah, tá.

Semana passada, chegamos em casa e a chuva já se anunciava. Corremos para fechar as janelas e a Marina voou para o canil:
- Jasmim, que tu tá fazendo aqui? Já para a casinha! Quer virar churrasquinho de trovão, é?

E a Jasmim acabou de passar por aqui chorando. Foi bancar a valentona com o gato da vizinha e levou a pior, tadinha.


posted by Ale
7:55 PM
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Terça-feira, Abril 18, 2006

Pulinho no passado

Então, quem me conhece pessoalmente ou é freqüentador assíduo deste blog sabe da minha paixão pela Páscoa ou pelo Natal. Da minha preocupação em reforçar essas fantasias, em formar lembranças felizes destas épocas. Eu acredito que isso tenha um efeito benéfico na construção dessas pessoinhas: acreditar em seres que fazem o bem, trazem presentes, que de uma forma ou de outra estão ali nos protegendo, como os anjos.
Pois é. Eu passei semanas envolvida com coelhos, pegadas, docinhos e pequenos mimos de chocolate (e com pequenas chantagens na hora da refeição, eu admito, mas é por uma boa causa, não é?).
Me senti muito feliz, gratificada com cada gritinho de alegria, com aquela espera, a ansiedade das manhãs, as especulações sobre como o coelho entrou ou não - se veio de guarda-chuva naquele toró da madrugada, se trouxe os filhotinhos, se fez barulho, se bateu na porta.
Para mim, isso compensou qualquer trabalho que tenha dado (e que, juro, não foi nada mesmo).
Agora, teve uma sensaçãozinha diferente nisso tudo e que me remeteu para a minha infância, me mostrou como eu gostava de acreditar, como eu tinha friozinho na barriga nessas horas, como eu imaginava horas sobre o Papai Noel ou o Coelhinho. E foi tão simples o gesto. Tão pequeno.
No domingo de Páscoa, quando fomos abrir a porta da pousada em Canela para tomarmos o café da manhã, o coelho havia deixado uma linda cestinha com ovinhos pendurada na maçaneta do quarto.
Foi abrir a porta de manhã e sentir como é bom estar, por alguns instantes, do outro lado... de novo.

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8:59 PM
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Quarta-feira, Abril 12, 2006

Tudo passa o tempo todo, no mundo

Era uma fase longa, dessas que pareciam não terminar nunca. A menina inventou de não deixar mudar nada em casa: nem móveis de lugar, nem colocar cortinas, nem trocar tapetes, nada, nada. E ainda tinha essa: não podíamos doar nenhuma roupa dela ou sapato que não servisse mais.
No início, eu falei que era legal mudar tudo de lugar, que dava um ar diferente, que parecia novo. Nada. Outro dia, eu expliquei que nada na vida dela iria mudar, só aquele vaso iria para o canto, mas que a casa e a nossa vida continuariam as mesmas. Não convenceu.
No outro mês, falei das crianças que precisam da nossa ajuda, que precisávamos doar as nossas coisas. Não mudou de idéia. Aí apelei e falei que se a gente doasse, iria sobrar espaço na prateleira e poderíamos comprar mais. Também não era por aí. Então, resolvi não esquentar mais. Dia desses, num sábado de tarde, como quem não quer nada, sentei com ela e falei que "as coisas do mundo todo mudam, filhinha. Tu sabias que até tem coisas que nascem para acabar, que nascem só para a gente aproveitar naquele momento? Olha aqui com a mamãe: quando a gente faz um desenho no espelho ou no box com o vapor, depois do banho, a gente já faz o desenho sabendo que ele vai desaparecer, né? E mesmo assim tem graça, não tem? E quando a gente faz sapata no chão com giz e sabe que a chuva vai apagar aquele desenho? Mesmo assim, é tão gostoso desenhar na calçada! E quando fazemos bolhinhas de sabão, então? É só fazer e esperar que elas estourem...puf! Mas são lindas, né? E a gente adora fazer bolhinhas, nossa. São coisas que existem, que a gente curte e que mudam. Tudo está o tempo todo mudando, vida."
Ela me deu um sorrisinho e eu entendi que ela sabia do que eu estava falando. Então, decidi complementar, porque com a carinha amada que ela fez naquela hora eu não consegui resistir:
- Só tem uma coisa nesse mundo que nunca, nunca, nunca vai mudar. É o amor que a mamãe tem por ti: esse não desaparece com o vapor e a chuva também não apaga que nem o giz do chão. Não dá, não dá.
Esse amor é tão grande, que às vezes o coração dá uma estouradinha, puf! de felicidade, mas é uma estouradinha leve, gostosa e colorida, que nem bolhinha de sabão.

posted by Ale
9:54 PM
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Terça-feira, Abril 11, 2006

No rastro do coelho

E lá foi o coelho de novo, na madrugada, deixando pegadinhas brancas de farinha que vão da janela até a metade da sala, onde depositou ovinhos coloridos pelo caminho.
De manhã, as gurias correm para ver se ele deixou alguma coisa e gritam pela casa com os ovinhos na mão. A segunda coisa mais gostosa das visitas do coelho é passar a mão no piso liso de tábua, em cima das marcas branquinhas do coelho. Elas apagam as pegadinhas, sentem na mão, cheiram e apalpam a textura.
- Olha, mãe, é macio, que nem o coelhinho - ainda dizem do pozinho no chão.

Será que é por isso que a Sofia está há um tempinho com a mão cheia de farinha, esfregando um dedinho no outro, com uma carinha muito pensativa, enquanto está sentada no balcão, fazendo biscoitinhos amanteigados comigo e com a Nina? Xi.

posted by Ale
10:14 PM
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Domingo, Abril 09, 2006

O docinho das comadres

Dia desses, numa conversa de mulheres:
- Eu nunca consigo deixar o meu pudim com furinhos. Será que é o leite? - alguém pergunta.
- Pode ser a marca do leite condensado. - outra deduz, com ares de entendimento.
- Não sei, porque eu não sei fazer pudim, hahaha! - alguém se entrega.
- Ah, eu também nunca aprendi a fazer pudim... bem, nem outras coisas bem simples, como sagu e feijão. - eu reconheço.
A Marina que está de anteninha ligada no papo dos "grandes", vem na minha direção e larga essa:
- Mãe, nem que tu não sabe fazer feijão, mas eu te amo e amo as comidas que tu sabe fazer, viu?

Ooooohs gerais.

posted by Ale
9:53 PM
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Quarta-feira, Abril 05, 2006

Eu acredito em coelho

- Mãe, coelho da páscoa é uma pessoa ou existe de verdade? - a Sofia me perguntou hoje, cara séria, olho-no-olho, me dando a oportunidade de falar agora ou calar-me para sempre.
- Claro que existe, Sô. - respondo com toda convicção, afinal é muito cedo para acabar com a fantasia das minhas pequenas. Ele é maior que os outros coelhos - eu continuo - e não gosta de ser visto. Por isso que na Chocofest tem boneco de coelho com uma pessoa dentro, não é o de verdade. Afinal, o coelho de verdade está bem ocupado cuidando das crianças. Ele fica feliz quando elas comem direitinho e daí traz ovinhos bem especiais para elas.
- Tá, mãe, eu sei. E coloquei teu nome aqui no meu desenho de coelho. Tu é o meu coelhinho, sabia?

Com essa resposta, foi o coelho ficou com a pulga atrás da orelha, viu.

posted by Ale
9:26 PM
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