Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006
Com a cabeça no travesseiro
Mais uma vez eu arrumo as caminhas das pitocas. Travesseiro, "naninha"(travesserinho menor), sobrelençol, edredon nos pés para puxar se tiver frio (para eu puxar, claro:), e travesseiro protetor do lado da parede.
Enquanto elas deitam, eu me abaixo e dou beijinhos, desejando que durmam bem e peço que falem com os anjinhos. As orações delas são fofas demais e acho um dos momentos mais amados do dia. Às vezes, a Sofia quer privacidade e reza bem baixinho, "só para o anjinho ouvir". Já a Marina, adora adaptar as minhas orações e me olhar, para ver se agradou. Eu dou um sorriso e ela volta encantada para a conversa celestial dela.
Noite dessas, fiquei olhando para as caminhas enquanto elas rezavam. Percebi como, aos pouquinhos, as coisas foram mudando: do berço de tecido no meu quarto, para o berço grande, de madeira, no quarto só delas. Do berço grande para as camas enormes, com grades e mil proteções, além do colchão no chão. E agora, sem colchão no chão, sem travesseiro de um lado e sem estrela e lua do outro. Puxa.
Enquanto vou me deitar, ainda penso:elas cresceram e eu estou me dando conta disso. Embora seja uma mãe protetora até demais(e isso me gera uma grande autocrítica, muitas vezes), estou tendo discernimento suficiente para olhar para minhas filhas e ver que elas não precisam de algumas proteções. Estou conseguindo acompanhar as evoluções da Marina e da Sofia. Isso, para mim, foi uma vitória, sim.
E, se um dia você já se sentiu estranho ou achou que alguma sensação que tivesse vivendo estava meio fora de ordem, veja só eu: deixando as lágrimas correrem, com sorriso bobo no rosto. Tudo isso pelo fato de estar conseguindo tirar os travesseiros.
Estou orgulhosa de mim.
Foi o meu último pensamento, antes de dormir tranqüila, com a cabeça no úmido travesseiro.
posted by Ale
11:09 AM
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Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006
Curtinhas
E, para não perder o costume, chego na agência e tem um recado para mim:
É para eu fazer tocar o telefone lá em casa, quando eu chegar.
Hahaha, essa Nina.
Filha, o que é isso no chão? - eu grito da mesa ao ar livre na pizzaria, para a Marina e a Sofia que brincam no parquinho do lugar.
- É uma coisa verde. - a Marina fala.
- É um bicho? - me preocupo.
- Não é, mãe, não tem uma cara.
Eu adoro falar de cores com elas. Como toda criança, elas sempre tiveram cores favoritas, que as diferenciaram uma boa época, mas que agora estão inconstantes, numa deliciosa fase camaleão.
Sempre perguntam as cores preferidas de todo mundo. E fazem desenhos para as pessoas usando as cores que elas preferem.
Ganharam um quarto pintadinho de lilás, porque é uma cor mágica e escolhem as roupas pelos efeitos que elas dão. " Eu vou de azul, porque é mais tranqüilo." "Ai, rosa é amor, eu sou a fada do amor." Acho fofo demais.
Dia desses, a Sofia me chamou para saber onde estava uma pasta que ela procurava.
- Mas, onde tá, mãe? Na sala do sofá moreno?
Que delícia de definição da cor. Nunca mais eu chamo aquele sofá de (que sem graça!)... marrom.
posted by Ale
12:35 AM
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