Terça-feira, Junho 21, 2005

Colcha, digo, cobertor de retalhos


Está uma noite muito fria aqui no Sul. Acabei de cobrir as duas filhotinhas nas caminhas e, dando mais uma olhadinha nos cobertores que elas estavam usando, não foi na temperatura ou na madrugada gelada já anunciada que eu pensei dessa vez.
É que as duas estão enroladinhas nos cobertores que eu e a minha irmã usávamos na nossa infância.
São cobertores Parahyba (com etiqueta e tudo!), com várias carinhas do ratinho Mickey espalhadas pela lã. Eu usava o cobertor azul com vermelho e o da Kátia era verde e marrom.
Ao ver esses cobertores, é inevitável lembrar daquelas cenas de infância, daqueles invernos frios, das tardes chuvosas e de preguiça em casa, do pinhão no fogão à lenha na casa da vovinha, dos cuecões (também chamados de ceroulões) que a gente usava embaixo das calças para ir ao colégio, do chocolate quente antes de dormir, hum.
Lembro da minha mãe levantando aquela coberta pesada para me dar um beijo de boa noite e de como eu me sentia aquecida com aquilo.
É por isso que eu fico emocionada ao ver minhas filhinhas, desde bebês, se enrolarem aconchegadas naqueles cobertores e, dessa forma, nas minhas lembranças.
Que, nesse pedacinho de pano, por um lado, já puído pelos seus trinta anos, e por outro, tão rico em significados, a Sofia e a Marina possam costurar também uma parte bonita da sua história.

posted by Ale
8:55 PM
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Quinta-feira, Junho 09, 2005

Desaniversário Especial

Eu as esperava em casa com um pacotinho de presente cheinho de meias, plécs da Hello Kitty e anéis das Meninas Superpoderosas. Bobagenzinhas que tinha comprado no centro, numa dessas lojinhas que têm pelo caminho, enquanto voltava para casa.
O carro estacionou e as duas já estavam sorridentes, mas ainda não tinham visto a minha surpresa. O motivo da alegria, então, era outro.
Abriram a porta do carro e saíram de lá gritando, empolgadíssimas, com uma revista das Princesas nas mãos.
- Mããããe, olha o que o papai comprou para nós.
- Que legal, anja. E olha aqui o que a mamãe comprou para vocês - eu disse, enquanto abanava com um pacotinho para cada uma.
- Ai, que coisa bem boa, quanto presente - diz a Sofia - Até parece meu aniversário.
:)

posted by Ale
9:08 PM
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Quarta-feira, Junho 01, 2005

Tudo bem ser uma mãe coruja

Eu amo livros, como minha mãe, que sempre manteve uma estante forrada de coleções lá em casa.
A Sofia e a Marina, minhas meninas de quase cinco, também estão cultivando a paixão e, sempre que vou a uma livraria, gosto de trazer um exemplar legal para elas.
Comprei ontem o livro de Todd Parr, Tudo bem ser diferente.
Em cada uma das páginas (todas coloridíssimas, com desenhos bem infantis), existe uma forma de aceitar o outro (e até a gente mesmo!) do jeitinho que a gente é.
Tudo bem precisar de ajuda, tudo bem ter cor diferente, tudo bem ser tímido, tudo bem dizer não às coisas ruins, tudo bem ter orgulho da gente mesmo.
As meninas amaram o livro e já decoraram tudinho, coisa mais linda.
O mais interessante foi quando acabei de ler para elas na primeira vez:
- Tudo bem esquecer as coisas de vez em quando - repetiu a Nina - Eu gostei muito dessa. Sabe que eu já perdi meu patinho de esponja e meu gatinho de borracha na escolinha? Mas, tudo bem, né? - e sorriu, levantando os ombros, como se tivesse se libertado do problema naquele momento.

Tudo bem que eu já tinha me encantado pelo livro. Mas foi naquela hora que eu me apaixonei.

posted by Ale
9:33 PM
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