Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

Costas largas


Lembro de algumas das minhas certezas desde que as gurias nasceram: não vou exagerar na televisão, não vou oferecer doçuras desde cedo, não vou acostumar na minha cama, não vou negar colinho.
Criança precisa de colinho. Tudo bem que, neste caso, o colo da mãe é só um e elas são duas. Mas aí é que está o ponto. Queria que elas tivessem colinho como toda criança que tivesse nascido única.
Assim foi. Desde o momento que consegui equilibrar as duas junto ao meu corpo, desde o momento que elas estavam mais firmezinhas, desde então, elas ganharam e dividiram o colo.
E, não, não tinha essa história de uma bebê ficar com a mamãe e outra com a babá. Enquanto eu estivesse em casa, eu queria as duas comigo. Para que nenhuma sentisse falta da mãe.
Em resumo: aos dois aninhos das pitocas, eu estava literalmente quebrada. As costas já não me obedeciam. Sofria com dores homéricas, câimbras.
Nesse ponto, elas já caminhavam ¿ começaram a andar com 1 ano e 3 meses. Só que adoravam um colinho e eu com a minha idéia fixa de não faltar colo nem carinho, continuava a sofrer.
Tive que consultar. Ele, então, perguntou o motivo do estado lastimável das minhas costas.

- Ah, elas não caminham ainda. - ele concluiu da narrativa da mãe que estava sempre com as filhas no colo.
- Caminham, sim.
- E por que você ainda força tanto para ter elas no colo?
- É que elas adoram ficar no colinho.
- O que acontece se você negar o colo?
- Elas choram, tadinhas. Me dá uma pena.
- E se você não tem coragem de dizer "não" agora, que elas têm apenas dois aninhos, vai conseguir negar alguma coisa ou mostrar quem manda daqui a alguns anos?

O profissional não era psicólogo, não. Quem me deu essa lição ( que eu precisava ouvir, aliás) foi um massagista.
Eu voltei da massagem com as costas inteiras. Mas levei essa bem nos dedos, e olha que doeu.



(Mãe com as duas na barriga e o papai ao lado - por Sofia)

posted by Ale
9:25 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

Ascensão e queda

...E eu tava lá no céu, mãe, em cima de uma nuvem bem fofa. - a voz doce e infantil da Marina narrava uma história que ela afirma ser real e acontecida antes do seu nascimento.
- Aham. O que tu fazia lá em cima? - pergunta a mãe, se aprofundando no assunto.
- Ah - se anima a menina, com o interesse da sua ouvinte - eu tava escavando a nuvem, assim ó. - gesticula como se mergulhasse no ar.
- Ué, o que tu queria encontrar? - a mãe novamente pergunta.
- É que eu "querio" olhar para baixo e escolher uma mãe para mim. - mãos na cintura. - E sabe como eu te escolhi?

Mãe suspira profundamente e sente-se afastar do chão, numa espécie de levitação que vem acompanhada de um sorriso bobo.
A Marina continua:

- Eu fiz pimponeta, petá, petá, perruge, faz pim, pom.. pum!

Corta. A mãe acaba de cair das nuvens.

posted by Ale
10:07 PM
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Domingo, Fevereiro 20, 2005

Tatibitate tardio

Não, eu não chamava o cachorro de au-au para a Sofia e a Marina, nem o carro de vum-vum, muito menos o passarinho de piu-piu, etc.
A idéia sempre foi ensinar o substantivo correto.
Elas cresceram falando certo e se fazendo entender para as pessoas.
Ás vezes, eu penso que, com isso, podemos ter pulado alguma fase.
Será?
Bem, é uma explicação. Senão o que justificaria , depois dos quatro anos, começar a chamar o pai de papáco, a mãe de mãmãca e se chamar de fofucas?
Será algum ataque bebesístico?

(Nem vou comentar que eu mesma estou me chamando de mãmãca e adorando toda situação. Também não vou falar que o papáco idem, idem.
É, os adultos são bem infantis, às vezes.)

posted by Ale
7:06 PM
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Domingo, Fevereiro 13, 2005

A Partilha

- Mãe, né que quando uma pessoa da casa morre, as outras pessoas que moram junto podem ficar com as coisas delas?

Ó céus, que pergunta é essa? Antes de responder, juro que ainda tentei adivinhar o que viria a seguir, mas a minha imaginação não chegou lá.
Apenas concordei.

- Então, mamãe, quando tu morrer, eu quero essa tua piranha rosa.
- E eu, aquela piranha preta! - as duas gritavam animadas.

Ah, sim, a Marina e a Sofia já estavam decidindo a herança.

posted by Ale
8:55 PM
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Terça-feira, Fevereiro 08, 2005

O que uma mãe coruja vai ser quando seus filhos crescerem?

A Marina e a Sofia não são mais dois bebês.
Vocês sabem disso, né? Têm acompanhado cada passo desse crescimento e, inclusive, pai e mãe tentando lidar com os progressos e com as personalidades que elas estão demonstrando possuir.
" Como a luz é feita?" "Quem fez o mar?" - perguntam as duas meninas de quatro anos. "Por que eu ainda não sei ler?" Elas querem saber.
E, todo dia, a gente precisa estar preparado para responder, para ajudar, para amparar, para imaginar, e para ampliar o vocabulário delas.
Também para mostrar valores e dar um norte para essas pessoinhas.

"Ó mãe, onde eu já alcanço" "né, que os bebês não alcançam aqui onde eu alcanço?"- minhas filhotinhas me mostram todos os dias que já estão mais altas, maiores, mais fortes.

Eu sinto esse crescimento acelerado.

Claro, estou escrevendo tudo isso, só para dizer que elas, assim como nós, também sentem que não são mais bebezinhos.

Dia desses, eu preparava uma massa "cabelinho de anjo" e elas estavam sentadinhas em cima do balcão para me "ajudar a cozinhar".
Então, a Sofia, me olha com a cara mais amada desse mundo e revela:
- Mãe, sabe de uma coisa? Tu vai ser a vó favorita dos meus filhinhos.

posted by Ale
12:15 PM
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Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

Mãe, o Miguel disse que azul é cor de menino!

A Marina vinha de novo com aquela história. Não era a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que ela aparecia, chorosa, para reclamar que o amiguinho dizia que a sua cor preferida não era feminina.
Eu já havia sentado e explicado que todas as cores eram de meninos e meninas, já havia contado que o azul era a minha cor favorita quando era criança como ela,
enfim, tinha tentado convencer a Marina de mil outras formas. Só que a minha filhota mais nova não se convence facilmente.
Afinal, era só a mãe dela defendendo o lado feminino do azul, enquanto todos os amiguinhos insistiam que o azul era o uniforme dos machos.
Então, um menino entrou em ação. O pai delas, um deles, tinha que convencer a Marina que a cor dela era tão feminina (ou masculina) quanto o rosa, o lilás, o vermelho.
O Du sentou com a filhotinha encucada e deu uma resposta pronta que ela adorou:
- Filhinha diz assim para ele:
"Isso é na tua concepção, seu preconceituoso.
Se você não acredita que azul também é cor de menina,
então pode vestir a minha camisola de princesas que é AZUL para ver como combina com você."

Hahaha. Eu só pensei em correr para cá e postar.

posted by Ale
10:03 PM
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