Quinta-feira, Novembro 25, 2004
Minhas meninas e a vaidade
Cap. I
A descoberta
(ou "Nossa, minha filha já é uma mocinha")
Gurias, vamos para a escolinha - eu grito, enquanto coloco as
mochilinhas no carro.
- Só um pouquinho, que eu tô me maquiando - a Nina responde
lá do quarto, enquanto passa gloss naquela boquinha.
(E eu, parada perto da porta, boquiaberta e admirada, esperando a minha filha de 4 anos se maquiar.)
....
Cap. II
Aceitação e cumplicidade
(ou "Tempo de paz: melhores amigas trocando confidências e dicas")
- Mãe, será que eu posso tomar água agora?
A Sofia pergunta, descendo as escadas, antes de sairmos.
- Claro, filhota. A mamãe espera.
- Não é por isso. É que eu não queria tirar o meu batom, sabe?
- Não te preocupa, Sô, esse batom tem alta fixação.
(Pronto, não me surpreendo mais, agora entrei na função)
...
Cap. III
A exclusão
(ou "Puxa, mãe, você não sabe nada mesmo")
- Não, mãe, essa meia não combina com essa calcinha.
Eu quero calcinha de anjo e meia de anjo. - a Sofia me ensina
a ser mais fashion e, olhando a minha calça jeans e blusa de
linho laranja, ainda completa: - A tua roupa não está combinando
nada, nada.
(O inevitável aconteceu: eu sobrei. Pensei que iria ter trégua até a
adolescência, pelo menos, hahaha)
posted by Ale
5:37 PM
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Terça-feira, Novembro 09, 2004
A paz invadiu o meu coração
Acontece de vez em quando de eu pensar que poderia ter feito isso ou aquilo diferente com a Sofia e a Marina.
Normalmente são coisas sem importância: poderia ter tirado mais fotos na maternidade ou poderia ter feito aquelas marquinhas de carimbo com o pezinho ou a mãozinha em tal idade.
Também que eu poderia ter sido mais segura, ter balançado menos na hora de nanar, ter ficado mais calma e, quem sabe, dessa forma ter mais leite. Enfim, agido diferente em algumas situações logo que elas nasceram ou nos primeiros meses.
Domingo nasceu minha sobrinha e primeira afilhada, a Catherine. Uma menina bochechuda e linda. Mostra que tem um pulmão sadio e já sabe o que quer. Tem a carinha determinada e uma doçura tão grande naqueles olhinhos. Sou uma dinda coruja e me iludo, feliz, ao pensar que ela reconhece a minha voz e já pode sentir o amor que eu tenho por ela.
Ao mesmo tempo, vejo a luta pela amamentação, as constantes trocas de fraldas, a recuperação da cesárea. Os cuidados com o umbiguinho, o leite que não vem, a lista de remédios em caso disso ou daquilo. Relembro muita coisa que passei há quatro anos atrás, assim como minha irmã, mãe insegura e amorosa, tentando acertar ou talvez errar menos.
Eu já tinha esquecido do envolvimento de ter um bebê em casa.
Agora que a Catherine nasceu e está me mostrando que fiz o melhor que podia fazer naquele momento, eu comprovo que tudo nessa vida tem sua hora mesmo.
E que a gente deve viver um dia de cada vez e perceber, em cada um deles, as pequenas lições que podem manter a nossa mente em paz.
O belo soninho da Catherine
posted by Ale
9:47 PM
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Sexta-feira, Novembro 05, 2004
Desejos perigosos
Cuidado com o que você deseja, porque pode se realizar. É o que se ouve.
Eu tive um desejo parcial realizado e acho que eu não pedi certo. Ainda bem que
não apareceu nenhum gênio da Lâmpada por aqui ou alguma estrela cadente,
porque iria ser o maior prejuízo. Preciso me disciplinar para pedir certo, porque
acredito em sonhos e desejos que se tornam realidade.
Eu explico: numa noite dessas, enquanto eu acalmava os acessos de tosse da minha
Marina com remédio e uma massagenzinha que a acupuntura recomenda, eu desejei,
desejei muito, muito mesmo, que a aquela tosse fosse minha.
Morrendo de pena da minha pequena estar passando por aquilo,
não conseguir dormir direito, se virar mil vezes de posição na cama, se batendo e
acordando cansada com olheiras, pensei que não me importaria de passar a noite tossindo.
Só que o meu desejo não era a Nina continuar com a tosse. Era a tosse dela vir para mim.
Eu ficar com a tosse dela e ela sem nada, podendo dormir tranqüila.
Aconteceu que agora eu e ela estamos fazendo sinfonia de tosse à noite.
Realmente, a gente tem que pensar muito e objetivar com cuidado os desejos.
Porque eles se realizam. Realizam, sim.
posted by Ale
10:21 AM
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