Sexta-feira, Outubro 22, 2004
O que a gente pode plantar
Acho o máximo a escolinha das meninas ter um jardim.
A dona Mirna, dona da escola, é muito caprichosa, cuida com um carinho daquelas plantas
que dá gosto de ver. Tudo, tudo no seu lugar, bem podado, bem florido.
Isso foi um dos fatores que colaborou na escolha da escolinha.
É que a gente gosta muito de plantas. As meninas me ajudam a molhar o jardim,
a plantar flores novas, a colher e enfeitar a casa ou fazer buquês para pessoas queridas.
Então, como eu estava dizendo, no meio desse jardim da escolinha tem uma árvore de pitanga
e as crianças acabam comendo a fruta no pé. Claro que tem sabor diferente e não tardou para que eu ouvisse:
- Mãe, eu quero uma pitangueira. Daí a gente pode comer pitanga, como tem na escolinha. Eu adoro pitanga. Daí tu faz o buraco e a gente enterra, tá bom?
Eu consegui encontrar um pezinho de pitanga que, segundo o vendedor,
" é tão bom que, se morrer, te dou duas mudas no lugar, e escuta o que vou te dizer:
ainda é capaz de dar pitanga esse ano ainda."
Eu achei engraçado, até me lembrou a história dos feijões mágicos,
só que aquelas sementes, reza a lenda, realmente eram mágicas.
Coloquei a arvorezinha no porta-malas e trouxe.
A pitangueira foi incensada ao chegar lá em casa, recebida como celebridade.
- Deixa eu ajudar a tirar a árvore do carro. Ó querida...Cuidado esse galhinho.
Devagar. Ai, pobrezinha, caiu uma folhinha. - as duas seguravam pelos galhos, enquanto eu carregava a raiz.
Que coisa linda esse amor pela natureza, pela árvore, pelo fruto.
Eu me orgulho muito do pouquinho de consciência ambiental que conseguimos plantar nessas cabecinhas amadas.
posted by Ale
1:53 AM
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Terça-feira, Outubro 19, 2004
Imperdível
- Mãe, eu não consigo encontrar o meu pléc (tradução: presilha, tic-tac, grampinho de cabelo) de golfinho rosa.
- Sô, agora a gente não tem tempo de procurar, estamos indo para a escolinha.
- Ai, não. Eu quero meu pléc AGORA. - cara chorosa e corpo jogado para frente, numa conhecida postura de manha.
Com a iminência do ataque infantil, eu respirei fundo e esqueci a pressa. Me abaixei e falei para ela:
- Sabe o que é filha? É que as coisas não costumam aparecer quando a gente procura.
Elas se escondem e só aparecem quando sentem que ninguém mais quer encontrá-las.
Funciona mais ou menos assim, quando você vai procurar outra coisa, acaba encontrando essa outra peça perdida, entende?
Ela fez um gesto de consentimento.
- Então, vamos agora para a Escolinha e na volta, quem sabe, o pléc não aparece?
Entramos no carro e elas ainda estavam curiosas e alvoroçadas com o assunto.
Comentei ainda que a minha mãe me ensinara uma oração para Santo Antônio e que ele ajudava a encontrar
objetos perdidos, como daquela vez que perdi meu anel.
E que todo dia a gente podia perder as coisas, por isso era melhor ser organizado e guardar tudo no lugar.
Enquanto ouvia tudo com atenção, a Nina soltou essa imperdível:
- É, se não guarda tudo direitinho no seu lugar, é aquela perdição, né?
posted by Ale
9:35 PM
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Quinta-feira, Outubro 14, 2004
Tradução fofa
- Give me the "Moonstone" - diz a bruxa da "Confusão das Bruxas"
- Monstro, foi o que a bruxa disse? Vai ter monstro nesse filme?
- Is for you.
- Esfriou?- foi o que a Marina entendeu, do rabicho do filme zappeado.
(E quando eu explico o que foi dito e o que significa, ela ainda me olha desconfiada e desabafa:
- Ai, por que você sempre sabe mais do que eu, hein?)
posted by Ale
10:54 PM
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Quinta-feira, Outubro 07, 2004
O nome do grude
Enquanto ela diz:
- Quero colo. Mãe, onde tu tá? Mãe, vem aquiiiii.
Mãe, eu só quero ficar contigo. Nina, sai. Mãe, eu não quero a Nina junto.
Mãe, quero me grudar em ti. Onde tu vai eu quero ir. Não vai trabalhar agora, mãe.
Não vai trabalhar nunca, nunca. Eu quero sempre estar no teu colo.
Eu tenho que dizer:
- Sô, pára, filha. Não faz assim. A mamãe quer arrumar a mesa agora.
Filhinha, eu preciso trabalhar, você sabe disso. Sô, a mamãe quer tomar banho agora,
tá, pode me esperar sentada no vaso. Sofia, a mamãe logo volta, fica aqui com o papai.
Sô, já to indo. Ah, filha, a mamãe está aqui na cozinha. Sô, desce do colo um pouquinho, por favor.
Todos os dias são assim. A Sofia está literalmente grudada em mim.
Da última vez que pedi para ela descer do colo, a Marina não agüentou e disse:
- Sô, larga um pouco a mamãe.
Tu tá pensando que tu e a mãe são aquelas bolachas que vêm grudadas?
Até a Sofia teve que rir com essa. Que ótima definição.
posted by Ale
9:30 PM
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Terça-feira, Outubro 05, 2004
Curiosidade
Gravidez está em pauta lá em casa, já que a minha irmã vai ganhar nenê no mês que vem.
A Sofia e a Marina só querem ficar com a mão na barriga dela, sentindo a nenê mexer e
sempre dão beijinhos de "oi" e "tchau" na barriga, ou melhor, na Catherine.
Agora deram para me desenhar grávida, com elas na barriga.
Fazem mil perguntas sobre a época que elas estavam lá.
Ontem o tema veio à tona novamente.
A Nina me perguntou, quando estava bem satisfeita, depois de um delicioso café colonial:
- Mãe, quando o médico abriu a tua barriga, ele viu as comidas que estavam lá?
posted by Ale
8:45 PM
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Domingo, Outubro 03, 2004
Mãe, em quem tu vai votar?
Eu já esperava que a Sofia e a Marina me questionassem.
Elas já sabem alguns jingles eleitorais e distinguem os candidatos. Não me impressionei muito.
Já tinham seu próprio candidato, inclusive, e gritavam cada vez que viam cartazes e outdoors dele pela cidade.
Aliás, todos os coleguinhas da escolinha já têm seu candidato.
Em tempos estranhos de carro de som e superexposição eleitoral, essa reação das crianças pode até ser considerada normal.
O pai delas e eu nunca nos manifestamos perto das pequenas, até porque consideramos que
discussões e intrigas políticas não devem fazer parte da infância, não.
Sequei as mãos de espuma de detergente no pano de prato e me abaixei para responder.
- Ah, filha, sabe que voto é secreto? A mamãe não gosta de ficar comentando.
- Aaaah. - as duas reclamam, decepcionadas.
E aí, sabe que me deu uma peninha daquelas carinhas, não sabe?
- Ta, eu conto, só se vocês prometerem guardar segredo.
- Combinado! - a Sofia e a Marina aceitam a condição e se chegam, animadas, para escutar o nome do meu candidato à prefeito.
Eu revelo, elas fazem comentários.
Então, me viro para continuar a lavar a louça, quando a Sofia vem mais perto e pergunta:
- O que que é guardar segredo, mãe?
posted by Ale
7:55 PM
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Sexta-feira, Outubro 01, 2004
Outra mãe de gêmeas
Gente, a Fernanda é uma mãe para lá de criativa. Ela também têm gêmeas, mas além dessas duas, ainda tem a Mariana, de 3 aninhos e o André, quase bebê.
Olha só, a brincadeira criativa que essa também publicitária inventou com os pequenos, e comprove que criatividade parece ser coisa genética mesmo.
Todo dia que eu levo ela pra escola a gente vai brincando de procurar alguma coisa ou alguma cor. E então hoje eu comecei:
- Eu quero uma coisa azul!
- Ali, a placa, a placa!
- Muito bem! Agora eu quero uma coisa vermelha.
- Hum... hum... ali, ali, a roupa do homem!
- Isso! Agora eu quero uma coisa roxa.
- (De olhos fechados) Aqui, ó!
- Onde, Mari?
- (ainda de olhos fechados) aqui!
- Onde?
- Fecha o olho que você vai ver, quando eu fecho o olho aparece um roxo.
E aí eu fechei o olho e apareceu mesmo uma cor meio arroxeada!
Essa minha filha é tão esperta...
posted by Ale
2:47 PM
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