Quinta-feira, Agosto 26, 2004
Post parecido
Desde pequenas, as coisinhas delas eram colocadas em lugares mais acessíveis.
Os brinquedos, depois os copinhos, os pratinhos, e, enfim, as roupinhas. Ponto importante de diferenciação.
A Sofia e a Marina sempre puderam escolher, tudo sempre esteve à mão.
Em relação às roupas, normalmente elas optam por modelo semelhante ou modelo igual e cor diferente.
E isso torna inevitável:
Na rua, no shopping, no supermercado, em tudo que é lugar, elas aprendem, de tanto ouvir repetirmos,
quando alguém diz que são iguais: "elas não são iguais, são só parecidas".
E, na escolinha, quando chamam elas "vem cá, gêmeas", a nossa reação é "elas têm nome, são a Sofia e a Marina".
Todo dia eu ainda explico para um dos coleguinhas essa diferença.
Muitos deles se confundem e trocam as duas. Imagino a confusão na cabecinha dos pequenos.
Por isso, tento deixar claras as coisas para as minhas filhinhas.
Embora elas sejam as únicas gêmeas da escola e as únicas entre todos os nossos amigos e familiares,
isso é muito natural, é comum, é normal.
E, para meu alívio, elas têm plena consciência de serem dois indivíduos diferentes,
cada uma com o seu jeito de ser.
Suspiro ao pensar que cumprimos o nosso papel de oferecer alternativas que elas levassem elas a ser exatamente o que são.
Duas pessoas. Únicas.
E iguais conseguem ser os sentimentos que nesse único coração pertencem às duas.
posted by Ale
10:47 PM
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Quinta-feira, Agosto 19, 2004
Coisas que vêm do berço
Os sintomas se assemelham com a minha velha conhecida "Síndrome de Domingo":
intermináveis idas e vindas ao quarto da Sofia e da Marina no domingo à noite, depois que elas adormecem. Uma espécie de saudade antecipada.
E sei que a causa deste também tem a ver com uma separação, não no sentido literal da palavra.
Me refiro àquelas coisas que encaraminholam a cabeça das mães.
Nos últimos dias, tenho rondado o quartinho delas e fixado o olhar naqueles berços. Um ao lado do outro, brancos, grandes, muito bonitos.
Amanhã caminhas substituirão os berços, na montagem do novo quarto da Sofia e da Marina.
Claro, sempre sonhei em fazer um quarto lindo para elas, que merecem.
E com um projeto mais do que lindo, desenhado pela dinda delas.
Além do quarto maravilhoso, ainda tem o fato de que um dos berços vai embalar o sono da minha afilhadinha,
que hoje ainda está aninhada na barriga da minha irmã.
Motivos para estar feliz com tudo isso não me faltam, não.
Só que tem aquele friozinho na barriga que não me deixa aceitar isso como uma simples troca de mobiliário.
Como bem diz a Ju, é hora de deixar o bebê ir.
É difícil largar, porque ainda pego esses nenéns no colo e aperto contra o meu peito.
Vou me esforçar, está na hora de agir como a mãe de meninas que sou.
E, não como um bebê, que tem outros dois nos braços.
Enfim, viva o novo quarto. Viva as minhas duas meninas grandes e amadas.
Viva uma nova mãe. Isso. Viva o presente. :)
posted by Ale
10:54 PM
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Quarta-feira, Agosto 18, 2004
A minha imagem que os teus olhos vêem
Acho maravilhosas as indagações da Sofia e da Marina. Especialmente na hora da historinha, antes de dormir:
- Mãe, então o pai da Branca de Neve era casado com duas mulheres?
- Não, a mãe da Branca de Neve já havia morrido e, então, ele resolveu casar com outra.
- Aaahh.
Eu bem que poderia ter perdido a oportunidade, mas como as mães também querem um colinho dos filhos, não resisti.
- E vocês? Deixariam o papai se casar com outra? Se fosse uma pessoa boazinha e não malvada como a madrasta da Branca de Neve?
A Marina baixou os olhinhos, e com a boquinha apertada, respondeu:
- Deixaria, sim. - começou ela, para o meu patético espanto, e sem pressa enumerou algumas exigências para a minha "rival":
Se ela fosse loira, tivesse os olhos azuis, gostasse de azul como eu quando era pequena, se chamasse Alessandra e tivesse nascido da barriga da vovó Neusa. Daí podia casar com o papai.
É essa a imagem que a Marina tem da mamãe dela. Só que, para que essa descrição seja exatamente fiel à realidade, não dá para esquecer de incluir um sorriso bem grande, bobo e completamente apaixonado.
posted by Ale
11:09 PM
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Terça-feira, Agosto 10, 2004
Mãe é quem cria
Porque elas não queriam comer uma bolacha super saudável feita com farinha integral, aveia e mel, eu disse que aquele era o biscoito da força.
E a lancheira voltou vazia, de tão gostosos que estavam os biscoitos antes rejeitados pelo layout pouco atraente
e prejudicados pela embalagem nada comercial.
Quando ninguém quer sopa lá em casa, eu pergunto se alguém quer "sopa de olhos" e a resposta é sempre positiva.
Os "olhos" da sopa são os ovos que eu coloco quando a sopa está quase pronta, deixo cozinhar um pouquinho e não mexo,
ficam inteirinhos, redondinhos e são servidos lado-a-lado, no meio do prato, caracterizando uma carinha.
Na sexta-feira santa, elas não queriam nem provar o peixe. Mas eu expliquei que aquele peixe rosa-salmão vinha de um rio,
que corria ao redor de um castelo no reino encantado onde viviam princesas e ele era muito especial.
A Sofia e a Marina provaram, adoraram e pediram para repetir muitas vezes o peixe rosado e "não só na páscoa, mãe".
Enfim, em cada episódio meu, seu e de muitas outras mães, a gente pode comprovar que criar é isso.
posted by Ale
9:56 PM
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Sábado, Agosto 07, 2004
Herói de duas
Melhor do que eu tentar explicar o amor e o relacionamento desse papai duplo e de suas filhotas,
é elas mesmas descreverem um pouquinho dessa paixão:
Marina:
Meu pai é carinhoso, ele dá beijo em mim, ele gosta de mim.
Ele gosta de ler livros, me dar banho e me secar do banho.
O time do papai é o inter e eu também gosto do inter.
Ele gosta de comer lasanha.
Meu papai me ama.
Sofia:
O papai me seca do banho.
De dia eu sou dele e de noite eu também sou do papai.
Eu gosto de adormecer com o papai e que ele me busca no berço de manhã.
Eu gosto de comer pizza com o papai.
O papai é bonito.
Eu amo o papai.
Amanhã de manhã, vou mostrar esse post para ele.
Será que deveria ter comprado também um babador de presente deste Dia dos Pais? :)
posted by Ale
4:05 PM
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Quinta-feira, Agosto 05, 2004
Orkut
Gente querida: para falar sobre a educação de gêmeos, está criada a Comunidade Mãe de Gêmeas no Orkut.
Estamos iniciando alguns fóruns bem legais.
Se você tem gêmeos, trigêmeos ou conhece alguém que tenha, venha conversar com a gente lá.
Pode procurar por mim no Orkut, Alê Fischer.
posted by Ale
10:33 PM
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Segunda-feira, Agosto 02, 2004
Fazendo um pedido
Meu Deus, não me deixe dormir se meus nenês estiverem precisando de mim.
- eu pensava todo dia antes de deitar, exausta, desde que elas nasceram.
O medo era de refluxo, ou que se engasgassem ou de qualquer outra coisa terrível que passa na cabeça das mães com bebês pequenos.
Hoje, dia 03 de agosto, no aniversário de quatro anos, eu lembro do nascimento dos meus bebês, dos primeiros dias ansiosos, dos primeiros meses, do medo de não dar conta do recado, de não ser uma boa mãe, de não educar da melhor forma.
Lembro que tinha receio de muita coisa. Me importava com todas as opiniões, cada uma apontando para um lado.
Mas lembro também daqueles rostinhos coradinhos, daquelas risadinhas, do primeiro sorriso, da primeira vez que falaram mamã e mami (cada uma me chamava de uma forma).
A minha memória também me traz muitas imagens das minhas filhinhas que eu não vou esquecer. E aquele cheirinho delas, aquela pele macia e a mãozinha minúscula que mal fazia a volta no meu dedo. A alegria de ver o crescimento delas e cada progresso me enchiam todos os dias o peito de orgulho e o coração, de amor.
Por isso, hoje, quando tantas lembranças me surgem, assim como lágrimas que vêm tão fácil, nesse momento que especialmente recordo meus bebês pequenos, penso que só poderia ter um desejo, além de pedir pela saúde e felicidade da Sofia e da Marina:
Pedir que esse meu desejo de sempre possa ser reiterado todos os dias e que ele sirva para cada fase da vida das minhas filhotinhas.
Isso, meu Deus, eu não quero dormir no momento que elas estiverem precisando de mim, nunca.
posted by Ale
10:34 PM
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