Sexta-feira, Maio 28, 2004
Surpresas do coração
Há alguns dias, pela manhã: "Mãe, eu sei escrever o meu nome."
"Ah, é," sem acreditar muito, afinal elas não foram ensinadas nem na escola, nem em casa, mas sabem algumas letras, porque ficam perguntando.
"Olha aqui", elas me disseram, rabiscando algo numa folha.
Olha aqui, eu digo agora para vocês, de queixo caído.

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3:38 PM
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Quarta-feira, Maio 26, 2004
Motivos para amá-lo
Depois que as duas filhinhas vão dormir, a gente tem um tempinho exclusivo para nós dois.
Nessa hora, conversamos sobre o dia e, invariavelmente, o assunto gira em torno da Marina e da Sofia.
Comentei ontem com o Eduardo que a Sofia estava meio triste, porque o "namorado" dela, um menino de 3 aninhos colega da Escolinha, falou que o trabalhinho dela era feio.
"Esse cara não serve para ser meu genro. Onde já se viu ferir os sentimentos da minha Sosô? Logo ele!"
E é por essa indignação, por entender essas pequenas coisas, tão importantes para elas, que esse homem tem que ser tão amado. É por respeitar os sentimentos da Sofia e da Marina, que elas têm que chamá-lo de fofucho, edredúmio (de edredon) e ocoludo (referência ao óculos dele), que embora sejam nomes esdrúxulos, são criados com muito carinho e seguidos de uma extensa fila de beijinhos barulhentos.
Então, quando a Marina me diz que quer ser advogada como o papai dela e justifica, dizendo que isso é porque ele é O AMOR dela, eu entendo.
Entendo perfeitamente.
posted by Ale
11:41 AM
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Domingo, Maio 23, 2004
Caldeirão da Bruxa
Tem mágica nas comidas das vovós e das mães em geral.
Ando com uma saudade louca da comida da minha vó, que faz um tempão que não como. E lambo os dedos quando a minha mãe faz qualquer prato: tudo fica assim, divino, quando ela coloca a mão.
Não vou dizer o mesmo dessa mãe que escreve aqui. Ela até que faz algumas coisinhas, mas nada relevante mesmo.
Só que acho que sou aprendiz.
Cheguei a esta conclusão depois da sopa que fiz ontem. Nada demais, sabe. Só verdurinhas e alguns flocos integrais. Nessa comidinha simples é que descobri um veio de ouro.
Talvez agora eu saiba um pouquinho dessa alquimia que elas realizam na cozinha.
Aquela batata cortadinha com carinho, aqueles legumes descascados com alegria, aquela mexida na panela cheia de desejo de saúde e felicidade. A procura do temperinho certo, dos ingredientes com as vitaminas e o ferro que os filhotes precisam. A ânsia que essa comida alimente e também encha de carinho.
Desculpa se eu estou encantada com algo que não é nada novo. A novidade aqui é só a minha sensação.
Fico feliz que, nas minhas limitadas especialidades, eu tenha conseguido atingir o equilíbrio e a concentração necessários para cozinhar com amor, esse sentimento quente, muitas vezes tão doce, que é capaz de temperar as nossas lembranças de infância e toda nossa vida.
posted by Ale
9:46 PM
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Quinta-feira, Maio 20, 2004
Tá perto
Me preparo para sair. A Sofia e a Marina sabem onde eu estou indo.
A Sofia pergunta mais uma vez:
Mãe, a massagem é aqui perto? Nessa cidade?
É, sim, filhinha, logo estou de volta. Fica aí com o papai, tá?
Mas, a tua massagem é bem pertinho daqui? Nessa rua?
É, amor, não te preocupa. É bem rapidinho...
Mas é bem pertinho mesmo? Há poucas casas daqui?
É, sim, amor. Agora a mamãe vai, tá?
É bem pertinho, né, então é...aqui dentro de casa, mãe?
Maus modos o trazem
Sofia vê o estrago do pré-temporal e comenta:
- Mãe, o vento derrubou aquela placa e nem pediu desculpas!
posted by Ale
9:36 PM
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Terça-feira, Maio 18, 2004
A Iluminada
Acordei preocupada. Saí correndo e levei o meu iogurte com mel para comer na agência. Trabalhei toda manhã, pesquisando, atendendo telefone, reuniões.
No horário do almoço, terminei alguns trabalhos. Li outros materiais.
Fui para casa, filei uns bolinhos no balcão ao lado do fogão e fui comendo enquanto acomodava as filhotinhas no carro.
Deixei as pequeninhas na Escolinha e voltei ao trabalho. Uma reunião emendou na outra e corri para chegar a tempo da última, que seria às 17h.
Acabada a reunião, preparei alguns briefings e, finalmente, fui buscar a Sô e a Nina na escola.
A fome e o cansaço estavam me matando. Sentia a minha paciência no final, não ria, não brincava. E reclamava de tudo, mal esperando a hora de adormecer.
Senti que elas me estranharam.
Caí em mim e expliquei, aproveitado para fazer uma auto-justificativa:
- Filhinhas, a mamãe está assim: mal humorada, rançosa e impaciente, porque correu demais, não descansou e não se alimentou direito. Viram como é ruim a gente não comer direito? Fica sem energia, cansada...chata velha assim como a mamãe.
Elas me olharam, com carinha de dó:
- Mãe, tu não é chata velha.É mamãe querida e bonita.
Sabe, existe um sem-número de coisas nessa vida que podem me deixar sem vontade, sem energia, sem força. Sem luz. Mas,enquanto eu tiver isso, esse amor incondicional da Sofia e da Marina, vou estar sempre iluminada.
posted by Ale
9:52 PM
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Domingo, Maio 16, 2004
Superpoderes
A Sofia e a Marina ganharam muitos ovos nessa Páscoa. Muitos mesmo. Pois bem.
Como só aos dois aninhos eu fui liberando os doces e o chocolate, ainda hoje não exagero. Acredito que a gente deva consumir essas doçuras com moderação.
Dia desses fiz um fondue lá em casa para os amigos. Primeiro foi o fondue de carne, com molhos diversos. (A minha amiga Naty publicou nos seu delicioso Na Mesa as minhas receitas) Depois, resolvi fazer uma versão de chocolate.
Sorrateiramente, fui até a "caixa dos ovos": com crispies, não, com biscoito, não, chocolate branco também não.
Finalmente me decidi e voltei balançando nas mãos dois ovos pink fashion da Barbie. Abri os ovos e ...surpresa!
Os dois eram de chocolate cor-de-rosa, argh. Seria o verdadeiro fondue de perua.
A Barbie escapou dessa vez. Quem não teve a mesma sorte foram as Superpoderosas, e que fondue superpoderoso que deu a Docinho, Florzinha e Lindinha :)
posted by Ale
6:33 PM
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Sábado, Maio 15, 2004
Alô, mamãe
- Ai, gurias, a mãe da Mariana ligou. Elas não vão poder vir hoje aqui, porque a Mariana está com dor de ouvido.
- Oh...Mãe, então liga para a mãe da outra Mariana, para ela vir?
- Não dá para eu ligar para a mãe dessa Mariana, é que eu não tenho o telefone.
- E não dá para ser esse aqui? - A Marina pega o telefone sem fio, com carinha interrogativa.
posted by Ale
9:46 PM
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Quinta-feira, Maio 13, 2004
Precisa-se de voluntários
- Mãe - a Nina interrompe a brincadeira para contar uma novidade - quando o nenê da dinda Kat nascer e subir aqui, eu que vou ajudar ele a descer. Porque os nenês não sabem descer sozinhos, né, e as meninas grandes podem ajudar eles, né, mãe?
- É, filhota, vocês podem ajudar a cuidar o nenê da dinda.
A dinda quase-mãe entra na conversa:
- E o que vocês vão fazer para ajudar a dinda a cuidar do nenê?
- Eu vou dar a chupeta para ele - a Sô se empolga.
- Eu vou dar mamadeira - a Nina encontra mais uma função para ela.
- E eu vou colocar no carrinho.
- E eu vou pegar no colo.
- e eu...
Interrompo as duas:
- Ei, e quem vai tirar o cocô?
Silêncio.
(E a dinda Kat acaba de integrar o time das ex-voluntárias:
- Acho que vai ser o tio de vocês, né?)
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10:31 PM
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Quarta-feira, Maio 12, 2004
Velharia
A Marina adora elogiar e faz cada carinha quando diz que você está bonita, como combinou essa roupa, ou como o seu perfume está cheiroso.
Ela é uma relações públicas mirim.
Ontem, no jantar, ela me olhou e disse:
- Mãe, que linda que tu tá. Essa blusa é nova?
- Não, filhota, iiiih, é bem velha.
E a Sofia, que não estava dada aos elogios, não perdeu a oportunidade:
- É velhinha mesmo? Ah, se é velhinha, então ela logo vai morrer.
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9:21 PM
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Arma secreta
Reza a arte de guerra que é preciso conhecer o inimigo para derrotá-lo.
Nas estratégias de marketing, similar tese é defendida quando buscamos nos inteirar dos hábitos do nosso público-alvo e conhecer as suas necessidades.
O importante é conhecer, saber as reações, se colocar no lugar. Essa é a estratégia.
Lembrei de tudo isso hoje, enquanto dava banho na Sofia e na Marina.
O caso é que a Sosô sempre teve cócegas para lavar (e secar) os dedinhos dos pés. Desde bem pequenininha. Mexia, mexia tanto aquele pezinho, que quase impossibilitava a limpeza.
Durante o nosso banho, as duas quiseram lavar meus pés. Confesso que respirei aliviada por não ser o cabelo, como da outra vez. Tinha ficado tão embaraçado que tive que passar mil cremes para pentear. E olha que meu cabelo é super liso.
Então, quando elas foram lavar os dedos, eu senti cócegas e comecei a rir, querendo mexer com os pés, instintivamente. A Marina nem ligou. A Sofia, que sempre foi a garota das cócegas nos pés, olhou para mim e disse:
- Estátua.
E eu parei. Na hora. E ela terminou de lavar o pé.
Garota esperta.
(Nas próximas batalhas das lavadas e secadas de pezinhos eu terei essa arma)
Mas, como bem vocês me conhecem, em qualquer circunstância: sou eu sempre eu, a rendida.
posted by Ale
9:05 PM
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Segunda-feira, Maio 10, 2004
Apropriado
Em agosto, tem aniversário duplo aqui em casa.
Normalmente, nesta época, eu já teria o tema escolhido.
A única coisa que defini neste ano foi que ELAS fariam essa escolha.
Bom, de improvável aniversário de bezerrinho, passou por Branca de Neve e Princesa Aurora, de Super poderosas foi até Os Dálmatas.
- Acho que dálmatas é melhor - a Marina ponderou - porque olha só- levantou a calça, mostrando as marquinhas nos joelhos - eu tenho até as manchas.
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11:23 PM
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Sábado, Maio 08, 2004
Mãe
Não sei pegar só uma fruta na geladeira, ou iogurte, ou um Chamyto.
Não tem como eu pegar só um pratinho, ou copo, ou pote. É dois, sempre.
Eu também não consigo buscar no andar de cima só um travesseiro, ou uma só escova, ou um só brinquedo.
Eu sempre arrumo duas toalhas para sair do banho, dois pijaminhas, dois pares de meia, duas escovas de cabelo e dois vidrinhos de perfume das superpoderosas, um da Lindinha e outro da Florzinha.
Na hora das compras é a mesma coisa. Eu não sei ver uma roupinha sem perguntar se tem semelhante, ou em outra cor, do mesmo número. E se tem Bela Adormecida e Branca de Neve. Se tem baleia e golfinho. Ou rosa e azul.
Eu acho estranho ficar só com uma, sempre fica faltando algo. Sair apenas com uma filha é tão difícil, dá uma sensação assim, sei lá. Mesmo que a outra não queira ir.
Ou pode ser só para ir ao médico com uma delas.
Eu não sei colocar só uma para dormir. Ou dar comida só para uma. Dar banho em uma só filhotinha? Só fiz uma vez, porque a Sofia caiu de sono e a Marina já estava na banheira. E ficou aquele vazio.
Coisas de mãe boba.
È que eu estou acostumada a aconchegar as duas no meu colo. A sair de mãos dadas com a Sofia e a Marina. A ver aquelas duas cabecinhas loiras no banco de trás, pelo retrovisor.
A receber um abraço duplo ao chegar do trabalho. Acostumada a ouvir os sonhos das duas de manhã quando a gente acorda. A ter uma de cada lado. A ter os braços longos, para envolver minhas amadas. A ter costas largas, para elas se pendurarem.
Então, ao mesmo tempo que as mães que têm filhos da idade da Marina e da Sofia me dizem que não iriam agüentar dois exemplares semelhantes àquele que elas têm em casa, eu não consigo me imaginar com um só filho.
Não adianta. Não sei ser diferente.
E a constatação é uma só: eu nasci para ser Mãe de Gêmeas.
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1:49 AM
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Quinta-feira, Maio 06, 2004
Mapa do tesouro
Porque é semana das mães, recebo presentes toda hora.
A Nina acabou de me agraciar com essa, enquanto brincava com um edredon da época que era bebê:
"Esse edredon é tão pequeno que cabe até um pé de fora."
(Sei que não é bem assim. Mas reconhecer a riqueza dessa convivência me dá esperanças de que não existam mães pobres nesse mundo.)
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10:12 PM
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Quarta-feira, Maio 05, 2004
Coruja
Já são 23h e acabei de colocar minhas duas filhinhas na cama.
As duas estavam exaustas.
Também pudera, hoje aconteceu a esperada festa das mães da escolinha. E realmente foi muito emocionante. Ainda mais para mim, que era caloura nessas homenagens.
A Sofia e a Marina desfilaram mostrando as funções da mãe. A Nina mostrou, com o seu bebê boca aberta (pois o de boca fechada é o da Sosô) como as mães nanam os filhos. A Sô mostrou as mães que cozinham, acompanhada de sua panela e colher obviamente cor-de-rosa. Outras crianças encenaram a mãe que passeia, a mãe que trabalha, a mãe que arruma os filhos, etc.
Depois as crianças dançaram Musa do Verão e constatei que elas são super coordenadas para a idade, ai, não puxaram por mim, ufa.
Outras músicas em homenagem às mães foram cantadas e as meninas não perdiam a letra, gesticulando e olhando diretamente para mim cada segundo. Eu, claro, bem instalada na fila do gargarejo, já não cabia em mim.
O ponto alto da apresentação foi a "Velha Infância". Essa canção tem um significado especial para nós, já que a Sofia e a Marina sempre cantam trocando "meu amor" por "minha mamãe" ou "meu papai". E minha corujice se descontrola quando lembro que foram elas que sugeriram essa música para a data. Três aninhos e tanta noção de como emocionar.
Embora toda a homenagem tenha me deixado bamba, desde as músicas até os presentes, rosas com coração e um lenço com a mãozinha delas, o meu deslumbre maior se deu quando as duas de repente, rumaram, sozinhas, para o microfone.
Elas atravessaram o salão e disseram, olhando para esta coruja que já tinha os olhos grandes e marejados:
- Obrigada, mãe, por cuidar de mim.
Pudera eu estar aqui, insone.
Me diz se você conseguiria dormir assim, com esse coração engasgado?
posted by Ale
10:56 PM
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Terça-feira, Maio 04, 2004
Síndrome do Ninho Cheio
Acho que todo mundo já ouviu falar em "Síndrome do Ninho Vazio". Em uma explicação bem simples, poderia-se dizer que é a solidão que chega naquela fase da vida do pai e da mãe em que os filhotes, já independentes, alçaram voou e abandonaram o ninho para viver sozinhos ou constituir família.
Isso me remete diretamente a um comercial de tevê, assinado pelo CVV. Uma senhora, andando em um corredor, abria as diversas portas e, dentro de cada quarto vazio, lembrava das imagens e chegava a ouvir as vozes e os risos dos filhos que viviam ali, no passado. Era triste, muito triste.
Ok, não estou me precipitando, não. Essa fase está bem longe da gente. (ufa!)
O que eu gostaria de mencionar hoje é justamente o contrário, o ninho superlotado. E obviamente que não me refiro a número de filhos, não.
Falo de um casal que vivia em um apto de um quarto, era super livre, apaixonado e sonhava em ter filhos.
E teve duas filhas maravilhosas. E elas encheram de alegria o lar do casal.
E eles tiveram que buscar uma casa maior, bem maior.
Só que o novo lar também se encheu: de visitas, babás e tudo mais.
Nós que tínhamos faxineira apenas há cada 15 dias, ganhamos companhia permanente durante o dia, de duas babás.
Senti muita falta da minha privacidade, da liberdade de fazer o que queria em casa, ao mesmo tempo que eu cuidava praticamente sozinha das duas à noite e não conseguiria fazer isso também durante o dia.
No pouco tempo que podia ficar sozinha com as duas no final de semana, na tranqüilidade, o telefone ou a campainha tocava. Às vezes, eu estava dormindo, à tarde, no sábado, e alguém chegava para visitar.
Não é que eu não gostasse de visitas, eu adoro. Só o que quero dizer é que é muito difícil o ínicio, essa adaptação com os filhos. E não é só com as crianças, é com essa estrutura operacional de babás, vovós, etc. Também são hormônios fora do lugar, cabeça a mil.
Em resumo, gente, esse texto, postado oportunamente na semana que antecede o dia das mães,
é só para pedir moderação nas visitas aos recém-nascidos, gêmeos ou não. Bom senso, só.
Um pedido de "paz no ninho" que faço em nome de todas as mamães-passarinhas, ou melhor corujonas.
posted by Ale
9:04 PM
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Aperitivo
- Olha só, esse vídeo está doido! Acabou de mastigar a fita do Tigrão.
A Sofia sabe o que está acontecendo:
- Paiê, eu acho que o nosso vídeo está é com fome!
- Filhotinhas, não deixem a torneira ligada enquanto estão escovando os dentes, senão vai muita água fora.
A gente tem que cuidar da água.
- Mãe, né que essa água é a água da chuva? - a Sofia pergunta, mostrando a torneira.
- É da chuva, dos rios e das fontes...
- E do mar também. - diz a Marina.
A Sofia corrige:
- Não, a água do mar não dá para a gente beber, né, mãe? - e explica: É que ela é temperada, Nina.
Agora, me diz se a criatividade das crianças não é o tempero da vida? :)
posted by Ale
8:24 AM
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Sábado, Maio 01, 2004
Ser mãe e ser mamãe
Desde pequeninhas, eu ensinei "mamãe". Elas assim aprenderam e chamavam "mamãe" e "papai". Também ensinei "vovô" e "vovó", mas esses dois nomes logo foram abreviados pelo hábito dos próprios vô e vó. Acho que eles não se importavam.
Mas, a mamãe sempre teve o cuidado de se autodenominar "mamãe" e, nunca, de "mãe".
E isso pelo carinho da palavra, por tudo o que ela transmite. Porque tem tanto amor em "mamãe" que chega a transbordar.
Porém, um dia elas entraram na escolinha. E foi lá que elas deixaram a "mamãe". As professoras nos chamam de "mãe". E a maioria das crianças também. E foi assim eu comecei a ser chamada pela Sofia e pela Marina. E não foi de mansinho, não.
Foi de um dia para o outro. Choque praticamente inevitável.
Claro que, eu tentei reverter a situação. Dizia: Ah, filha, me chama de mamãe, que eu gosto mais. Ou: Filhotinha, eu fico tão feliz quando você me chama de mamãe!
Só que foi em vão.
Fiquei sendo "mãe" na marra. E doeu muito.
Hoje, mais madura , consigo ver que realmente a minha tristeza foi por elas terem deixado de ser os bebês. Inconscientemente, projetei naquela palavra tudo isso. Doeu porque elas cresceram. Doeu porque achei que elas estavam me amando menos por me chamar "só" de "mãe".
E, hoje, nos momentos em que elas ainda me chamam de "mamãe", eu lembro dessa fase. Afinal, "mamãe" ficou para ocasiões especiais. Na hora do aconchego, do carinho, do abraço.
Tenho vontade de rir de mim mesma.
E percebo que quem precisava crescer era a mamãe.
posted by Ale
9:22 PM
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