Quarta-feira, Abril 04, 2007

O verdadeiro recheio do ovo

Nesse clima de Páscoa, de segredos escondidinhos e madrugadas recheadas de surpresas, pegadas e ovos de coelho pelos cantos da casa, percebo que a crença das minhas pintinhas no coelho está enfraquecendo. E os sinais são tão óbvios que, por mais que eu ame a data, não dá para negar.
Dia desses, comentei aqui no blog que elas me ajudavam a fazer biscoitos e a Sofia mexia na farinha, lembrando que "era disso que eram feitas as pegadinhas do coelhinho!" Senti ali uma certa desconfiança. Fora que, todo dia, elas comentam que este ou aquele colega disse que coelhinho não existe. Para completar, é aquele bombardeio da mídia, com ovos recheados de brinquedos de tudo que é tipo, mostrando um lado tão comercial da Páscoa, que desanima e até fica difícil manter essa magia tão lúdica, doce e infantil.
Outra noite, me bati contra a janela, acordando sobressaltada, lembrando que não tinha posto os ovinhos na sala. O barulho foi tão alto, que aí é que não coloquei mais nada, porque achei que alguém acordaria. Pensei, sonolenta, que elas já nem ligam tanto pra isso. O coelho já havia colocado pães de mel decorados de coelho para o café da manhã do sábado. Cenouras de plástico com doce dentro das botas delas. Ovos com pegadas. Acho que nem estão esperando nada hoje. E voltei a dormir.
Mas, no outro dia, a tristeza da Nina ao ver que não teve visita do orelhudo, me deixou mais abalada que a janela da madrugada. Percebi, nas entrelinhas, que o fato do coelho não ter estado logo no dia depois de ter escrito sua cartinha para ele tinha sido mais que uma decepção. Ela não só ainda acreditava no coelho, mas também estava achando que ele não gostava dela, por não ter ido lá em casa.
Foi então que caiu a ficha. Lembrei que, dia desses, elas disseram "será que o coelhinho entrava na cozinha, se sujava de farinha e fazia as pegadinhas?" Ou, quando viram uma loja cheia de brinquedos que elas queriam no natal, perguntaram se o papai noel não comprava ali e entrava disfarçado para isso. Percebi que a fé na magia da Páscoa e do Natal iria permanecer, mas só porque elas queriam. Mesmo que a mídia, os coleguinhas ou as evidências mostrassem que isso tudo são lendas (que foram criadas, em sua essência, para que o mundo pudessem trazer mais alegria e encanto para a infância, eu quero acreditar.)
Eu sorria, finalmente. Enquanto fazia, bem animada, um enorme caminho de pegadas e mini-ovos coloridos, por toda a sala nessa madrugada que passou.

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5:45 PM
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Quarta-feira, Março 28, 2007

Heranças

A verdade é que a melhor herança que a gente pode deixar para os filhotes é o amor e os nossos valores. Isso é o que realmente torna as pessoas ricas.
Mas tem um outro tipo de herança que também pode ser especial.
Um pouco antes das meninas nascerem, numa limpeza, foram descobertos dois baús na casa dos pais do Du. Eram malas antigas, que estavam no sótão. Acabamos ficando com eles, objetos que foram usados nas viagens de família no passado e que receberam um cantinho especial na nova casa, para onde estávamos nos mudando na época.
A minha sogra, então, vendo que eu tinha uma queda por velharias, me ofereceu o sofá que um dia foi da sogra dela. Era um lindo coroa de 60 anos, que fora de um apaixonante veludo vermelho, mas que agora estava com o tecido bastante gasto.
Eu sempre gostei daquele sofá de molas e não pensei nem meio minuto antes de responder que queria. Ele virou o "sofá moreno" lá de casa - escolhemos um tecido cor de chocolate para ele - e eu adoro pensar que os avós do Du se sentavam ali para conversar. Na época que a tv não era o principal numa sala, mas sim o rádio ou a vitrola e, claro, um bom papo. Para completar, o rádio de 1950 também veio parar lá em casa e, dia desses, recebemos os LPs com boleros e músicas alemãs, com capas antigas e lindas. Mandamos consertar e ele ainda toca em uma rotação.
Acho que o meu objeto favorito de família ainda é uma caixinha de charutos que também foi do vô do Du: é tão lindo. Ele deu ao neto ainda quando estava vivo. A gente guarda linhas e agulhas lá e sinto uma energia gostosa ao abrir a caixa decorada e antiga. Como se fosse um cofre, com riquezas importantes. Na verdade, é uma riqueza, sim. É uma herança importante para minhas pintinhas. Para elas saberem que, antes delas, já viveram pessoas especiais, que usaram aqueles objetos, que vieram de outros lugares, que gostavam de plantar uvas, de cuidar de jardins, de conversar no sofá e ouvir música. Pessoas das quais a gente leva um pouquinho. E, claro que não estou me referindo aos objetos aqui de casa, não é?

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7:44 PM
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Quinta-feira, Março 15, 2007

Coloca água no feijão que ele tá voltando

Neste sábado, andei pelo jardim. Esse é o dia especial para dar atenção para as plantas. Tirar folhas secas, ver o que tem broto ou muda, dar uma olhadinha no que estão fazendo as formigas e até colher algumas flores para colocar dentro de casa. Gosto de strelitzias, margaridinhas e galhinhos de jasmim para colocar em vasos pela casa. É só juntar umas folhinhas de moréia e voilá! Temos um arranjinho bonito para enfeitar a sala.
A sensação que se tem é que as flores mudam a energia do lar. Sinto isso também quando fervo pétalas de rosas com folhas de limão e vaporizo pelos ambientes. É um aromatizador natural e o cheirinho fica uma delícia.
A novidade do jardim nesse sábado foi sentir a preparação da natureza para a chegada do outono. Por onde se olhava, podia-se ver que tudo começa a se recolher, poupando energia importante para os meses frios. As árvores mostram o início do tingir de tons terrosos as folhas e já começam a distribuí-las pelo chão.
As formigas, mais agitadas que nunca, atacam os copos de leite. Acabei deixando uma trilha com cascas de laranja picadinhas para elas levarem para casa e, assim, deixarem as flores em paz. Parece que deu certo.
O comedouro dos passarinhos, onde coloco comida desde outubro, finalmente achou algum consumidor. Tenho colocado alpiste todos os dias. Os passarinhos também estão reservando energia para o recolhimento.
Na contramão do clima, tenho uma orquídea com três botões. Cultivar orquídeas sempre foi um sonho pra mim, afinal são flores sensíveis. Excetuando-se a nossa orquídea gaúcha, que floresce gentilmente junto às árvores, acreditei que iria tentar muito, até que uma das novas plantinhas desse flor. Mas deu e foi uma novidade maravilhosa.
Enfim, a natureza nos mostra que podemos nos preparar para cada outono, cada inverno, primavera e verão.
Pensei muito nisso ontem e decidi seguir o exemplo: vou lavar os edredons, colocar sachês de lavanda nas gavetas dos lençóis, comprar mantas de sofá e almofadas de cores quentes. Também vou procurar receitinhas de sopas de legumes e caldinhos diferentes, biscoitinhos e bolos fáceis. Além disso, não quero esquecer de separar chás especiais e tirar o pó daquele jogo de chá e das cestinhas para biscoitos. Enfim, vou dar uma de formiguinha e levar tudo o que é bom para dentro de casa e aguardar o outono preparada, nesse ninho quentinho e gostoso.




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1:41 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Mãe e filhas recomendam

Dia desses, fomos à livraria. Entre livros coloridos e lúdicos como os da Bruxa Onilda, Fada Pérola, Clara Luz e tantos outros, A Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga, foi parar nas minhas mãos. Um livro com poucas ilustrações e impresso em preto não seria definitivamente a escolha das pintinhas, mas foi a minha. Levei, além desse, Mania de Explicação (Adriana Falcão) e Ou isto Ou aquilo, da Cecília Meireles. Elas escolheram historinhas de gatinhos e cachorrinhos, que amam.
Resolvi ler antes de contar, uma espécie de censura dos pais, que pode preceder ou acontecer simultaneamente à leitura (lembra que os adultos demoravam para contar certas partes? Pois, então. Estavam improvisando nessa hora.). A Bolsa Amarela foi lida na mesma noite.
Encantada, terminei as cento e poucas páginas da história de Raquel, a menina que conseguiu colocar as suas vontades dentro da bolsa amarela e do galo Afonso, que não queria ser o que todo mundo já tinha designado para ele: um galo "tomador-de-conta-de-galinha".
As gurias, que me viram lendo, queriam ouvir logo também. Na outra noite, li o primeiro capítulo e elas não queriam mais parar. Cada noite, um capítulo. Às vezes, dois. Risadas. Suspense. Perguntas incríveis surgiram: como se coloca uma vontade dentro da sacola? Por que ela pesa? Como alguém costura o pensamento de outra pessoa?
Durante todos esses dias, elas juntaram alfinete de fralda (ou joaninha, como se diz aqui no Sul), disseram para o fecho da mochila enguiçar e deram o nome de "Geraldo" e "Arnaldo" para os príncipes das Barbies.
Essa bolsa amarela, hein. Tanta coisa dentro: as vontades da Raquel, o galo Afonso, o alfinete de fralda, "a" guarda-chuva, além de um estímulo sensacional à imaginação, através de coisas cotidianas. E o mais importante: o gosto das minhas pequeninhas por uma leitura rica e cheia de qualidade.

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10:10 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

Mãos Dadas

Tem cheirinho de volta às aulas no ar. Compramos o material escolar (tudo com Barbie, Moranguinho, Winxs e, a bola da vez, O Pequeno Pônei), livros e mochilas. Já colocamos os nomes no material. Deixamos tudo certinho, já dentro da mochila. Revisei as toalhinhas para o lanche e vi que temos que comprar mais: estão manchadas de frutas. Ganharam uma térmica nova hoje e já fizemos as fotos 3 x 4 depois de várias tentativas de "esboça um sorriso, filhinha, mas sem mostrar os dentes, assim ó").
Acho que, no setor material, a etapa escolar está quase completa.
Falo isso porque, agora, enquanto estava sentada na frente do computador, com a cadelinha Jasmim querendo sentar do meu colo - e não para ganhar carinho, mas com a escancarada intenção de morder o teclado - lembrei de um dos últimos dias de aula.
A criançada do pré costuma ir para a aula de transporte escolar. Eram poucas mães que, como eu, levavam e buscavam os filhotes. Só tinha um pequeno problema: a Marina não queria deixar que eu fosse embora quando chegávamos a sua sala. Foi aí que comecei o incentivo para que as duas entrassem sozinhas no colégio. Eu as levaria até a entrada e ficaria acompanhando a entrada das pintinhas. Mas nunca deu muito certo. Elas queriam que eu fosse junto. Queriam ir de mãos dadas com a mamãe, como sempre fora. Então, nós três dávamos as mãos e entrávamos no colégio. No outro dia, eu tentava de novo.
Numa das últimas aulas do ano passado, quando eu estava quase desistindo de estimular que entrassem sozinhas, encontramos algumas coleguinhas que estavam chegando de van para a aula, na maior animação. A Sofia e a Marina largaram a minha mão na hora e correram para junto das amigas. Foram indo na frente e nem olharam para trás. Primeiro, me senti meio largada, como se não fosse tão importante mais. Nem tão necessária. Queriam tanto entrar de mãos dadas, mas abriram mão disso tão fácil, tão rápido.
Segundos depois, enquanto minhas mãos ainda se esfriavam do contato com aquelas mãozinhas queridas, meu coração já foi se esquentando e foi aí que eu entendi.
A independência tinha muito mais coisas boas do que se podia imaginar. Embora não estivéssemos de mãos dadas, sabia que, lá na frente, meu coração acompanhava aquelas duas amadinhas e andava lado a lado com elas. Ele ficava feliz com suas conquistas e isso me bastava. Voltei ao carro sorrindo. E foi assim que não voltei de mãos vazias para casa naquele dia.

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4:28 PM
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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Um passo de cada vez

Só não acha tempo para se exercitar quem não quer. Pensando nessa, que parece ser a verdade universal quando o assunto é maternidade, falta de tempo e corpo em forma, eu subo rapidinho, de bermuda e camiseta, as escadas do escritório lá de casa, onde se encontra a esteira.
Vou colocar as gurias no computador, que fica do lado da esteira e, enquanto acesso a página das Winxs para elas se distraírem, me sinto muito esperta.
Ligo a esteira e começo. Elas estão no jogo do arco e flecha. Eu aumento a velocidade e o passo. Vou caminhando e pensando que isso eu poderia fazer sempre. Agora realmente eu iria ter uma rotina de exercícios, como eu queria há muito tempo! E essa era uma das resoluções de ano novo. Tudo bem, o ano já tinha começado e...
- Mãe, diz para a Sô que agora sou eu.
- Sôôô, tem que dividir com a Nina. - eu faço a intervenção.
Volto animada para os meus pensamentos, lembrando que agora, 2007 poderia até ter começado, mas o ano do porco ainda não começara e eu ...
- Mãe, pra serve esse botão?
- Hum. Deixa eu ver.
Costumo evitar que elas fiquem no computador, é só de vez em quando mesmo e pouquinho tempo. Gosto que elas aproveitem o pátio para brinquedos onde se use a imaginação, que é muito mais gostoso. Então, desço da esteira, vejo o que é e mostro como se faz. Quando volto para a caminhada, mais chamados:
- Como é esse jogo? Não mexe nada aqui!
- Como faz nessa etapa? Eu pulei a cobra e morri!
- Mãe, agora sou eu! É só ela que joga!

Dez minutos depois do início da caminhada, eu parei com o exercício e fui para o jogo. Me juntei às filhotinhas contra os inimigos das Winx. E entendi porque não tinha tentado essa estratégia antes. Realmente, eu não pratico muitos exercícios, não pratico esporte nenhum. Mas esse limite eu já conhecia.

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8:40 PM
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Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

A aula que faltou

Eu gosto muito de falar de filhos, mas, claro, a gente sabe com quem pode falar mais, discutir esses assuntos maternais. Sabe quem nos entende. E isso não se resume a ter ou não filhos. Fala sobre sensibilidade.

Como esse papo que eu tive com a Nadi, que é minha prima e também dinda das meninas. Eu estava dizendo para ela que:

- Fiquei tão feliz com o amadurecimento emocional das gurias nesse ano, na pré-escola. A professora conseguiu trabalhar perfeitamente diversos pontos importantes, além de todo o aprendizado pedagógico: independência em relação aos pais, liderança, respeito e tantos conceitos importantes. Dava para sentir cada dia o progresso...ensinou inclusive como dizer "não" para as amiguinhas sem magoar ninguém.

Nessa hora, ela me olhou com uma carinha desanimada e disse:
- Elas estão sabendo de tudo isso, é? Ai, amiga, acabo de descobrir que eu tô precisando voltar pro pré.

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5:45 PM
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Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Ano novo com a felicidade lá nas alturas

A gente admirava os fogos com sua diversidade de luzes, cores, formas. Uma forma mais linda que a outra: iam explodindo em cascatas, lindo que só.
No meio do espetáculo, a Sofia pegunta:

- Mãe, os fogos explodem porque eles batem lá em cima, no céu, né?
:)


Feliz Ano Novo para todos. E que, em 2007, a gente possa explodir de felicidade. E se sentir assim, no céu.

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9:52 AM
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Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

Reflexão no espelho

Enquanto eu passava um creme para limpar a pele, um para tonificar e outros tantos para área dos olhos, pescoço, etc, me esforçando para usar o arsenal que tenho no armário e que um dia toda mulher acaba comprando, elas me olhavam. Devem estar me admirando, pensei, como acontece nas propagandas de hidratante, onde as filhas olham as mães e depois as imitam, mostrando a idolatria comum que as pequeninhas têm pela mãe nesta idade.
A Marina, então, rompe o silêncio perfeito e pergunta por que eu passo tantos cremes e loções.
-Ai, Nina - a Sofia se antecipa e responde, com o tom impregnado de impaciência - tu não sabe? A mamãe passa esses cremes porque ela tá "envelecendo".
Ah, sim. Pior é que ela tem razão. A sinceridade infantil, claro.
Quando eu penso que a minha auto-estima já tinha sido testada ao seu limite, elas me perguntam:
- Mãe, mas antes de tu morrer, tu pode fazer e deixar para nós uns 40 litros de chá gelado?

Sim, sim, sim. Pelo bem das rugas que estou tentando evitar com os cremes, vou encarar isso como um monumental elogio ao meu chá gelado.
Afinal, ser feliz também dá rugas. Mas elas são bem mais bonitinhas, né? . :)

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10:04 PM
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Sábado, Novembro 25, 2006

Sobre nascimentos


Hoje à tarde, colocamos a decoração de Natal. Buscamos as três caixas que estavam guardadas no depósito e começamos a abrir. A cada novo enfeite descoberto, mais gritinhos empolgados: - "Ai, ,mãe, olha que amor!" - "Olha, só, um sininho!" - "Mãe, lembra que a gente tinha essas estrelas? E essa bola com o papai noel desenhado?"
Assim, abrimos todos os enfeites e comecei a montar a árvore. Enquanto encaixava os galhos na base, lembrei que todos os enfeites (e a árvore também) só estavam ali graças a Marina e a Sofia. Por causa delas, quis ter o Natal completo, com árvore, guirlanda na porta, casa enfeitada, espírito preparado. O nascimento de Cristo passou a ter um sentido diferente depois do nascimento delas. Lembrei do primeiro Natal das filhotinhas, aos quatro meses, quando tínhamos acabado de construir a casa, num momento onde faltavam até mesmo algumas coisas essenciais, que dirá uma árvore festiva. Para o segundo Natal, compramos um cipreste, daqueles bem cheirosos e enchemos de laços vermelhos, foi a primeira árvore das passarinhas. O cipreste secou durante o ano, porque não se adaptam dentro de casa, mas a gente só soube disso quando era tarde demais.
No outro Natal, compramos a árvore mais legal que a gente podia. Até que grande, mas com galhos espaçados, porque as árvores mais cheinhas eram mais caras. A nossa árvore magrinha está lá na sala agora. Todos os anos, a gente aumenta o número de bolas, sinos, enfeites. Também temos pendurado nela algumas lembranças carinhosas de amigos, cartões, recordações. A cada ano, nossa árvore, que começou tão simples, fica mais bonita. Como as pessoas. Como a gente mesmo. Como viver.

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9:14 PM
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Sexta-feira, Novembro 03, 2006

Dia dos que estão vivos

Ontem foi dia de finados. Onde moro é muito forte essa cultura de utilizar a data para fazer visitas aos cemitérios, limpar as lápides, trocar as flores. Nós, não. Desde crianças, nunca costumamos fazer essa "celebração." Talvez por isso me pareça tão estranho. Ou talvez não seja por isso, seja uma coisa minha mesmo. O local onde está enterrado alguém que amamos não diz muito para mim.
Acho o dia dois de novembro perfeito para pensar em quem amamos e se foi.
Ontem, especialmente, lembrei do meu avô, Otto. Eu contava para a Sofia e a Marina como ele era uma pessoa tão paciente, tão atenciosa, tão amada. Como morávamos longe, viajávamos muito e, quando chegávamos à casa dele, logo éramos transportados para o seu colo e para um mundo onde haviam vacas e porcos, casinha improvisada na árvore e um parreiral, cujo cheirinho de uva roxa e folha verde demoro a esquecer. Embaixo desse teto natural e perfumado, corríamos, com as uvas e suas folhas desenhando sombras nos nossos rostos. Perto dali, nos deliciávamos com o mel em favo, que o vô trazia. Com as frutas, com as suas flores e a sua voz rouca. Com a festa da primavera no bosque. As lembranças são muitas e provocam muitos sorrisos e saudades, eu disse para elas. Também o Natal me faz lembrar muito do meu avô magro, alto, com quem meu pai é muito parecido. O vô Otto montava uma árvore de Natal com lâmpadas queimadas, dessas que utilizamos em casa, que ele mesmo pintava e pendurava no pinheiro, em frente de casa. A árvore era simples, mas todo o cuidado e carinho com que ele fazia isso para nos esperar era o que dava uma luz especial no pinheiro. Ele foi o único que gostava da música que saía da minha flauta desafinada, nem eu mesmo gostava. Marina e Sofia riram muito aqui. O vô também foi único a me ver quando eu estava com cachumba, na cama, em uma dessas reuniões de família. Ficou lá, sentado, me contando causos, que eu queria dar risada, mas o pescoção inchado pela doença dificultava. Ele enganava a vó e mexia no chimarrão quando ela não estava olhando, para ficar com mais gosto de erva, ela não gostava nadinha disso. Ele era sapateiro e a gente brincava muito com os pares de sapato que ficavam lá, ano após ano, sem que ninguém comprasse, até saírem de moda.
Um dia, também o seu tempo passou e ele se foi. Fecharam a sua loja/sapataria. O parreiral murchou. O pinheiro perdeu a luz.
Ontem, eu queria ter tomado um vinho de uvas roxas ou com cheirinho de folha verde, queria ter chupado um mel no favo, queria ter montado uma árvore de Natal. Porque, expliquei para as filhotinhas, dia de finados não é dia de chorar. Mas é uma boa hora de lembrar dessa gente amada de uma forma especial, celebrar e agradecer a presença delas na nossa vida. Lembrar com carinho do que elas nos ensinaram e de como nos fizeram felizes. Porque, enquanto alguém que já viveu é lembrado com carinho, não importa onde está hoje, vai continuar vivo no coração da gente.

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1:18 PM
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Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Tiradinha do sábado de sol

A gente estava no carro, levando a Jasmim para o banho, num desses sábados de manhã, que são tão bons.
Du e eu conversávamos, mas a gente parou tudo quando ouvimos esse comentário, ao passar por uma das secretarias da prefeitura da cidade:

- É aqui que o pai da Vitória da Escolinha trabalha. - a Sofia falou.
- Onde? - pergunta a Marina.
- Ali ó, na casa branca, Nina.
- Casa Branca?!! Nossa! E ele, por acaso é presidente, é?


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6:16 PM
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Sábado, Outubro 14, 2006

Passado o tempo do carrossel

Ontem à tardinha, fomos na Oktoberfest, festa típica alemã aqui da cidade. Tomamos um café colonial e acabamos arrastados por duas meninas muito ansiosas para o parque de diversões. Elas logo viram um brinquedo com baleias, uma espécie de carrossel. - "Eu quero nas baleinhas!" - gritavam. Sabíamos que era muito infantil para elas, mas e quem pode saber realmente o que é infantil para uma criança de seis anos? De ingressos comprados, subiram nas baleias. Felizes, deram a primeira volta. E mais uma. Começaram a achar aquilo muito chato. Só as duas estavam no brinquedo, o operador da máquina chegou a parar o brinquedo para a gente tirar uma foto, foi até engraçado. - "Mãe, me tira daqui." - a Sofia pediu. Pedi para o moço parar e saímos de lá. - "Olha lá, um carrossel! Eu quero nesse, eu quero nesse!" Subiram nos cavalos. A gente não iria palpitar, dizer que elas não iriam achar a menor graça de novo, porque elas amam o carrossel, sempre amaram. Trouxemos até uma caixinha de música com carrossel da Itália para elas. A Marina e a Sofia só não tinham se dado conta que elas cresceram e o carrossel, não. Aqueles cavalinhos andavam devagar, rodavam, no mesmo ritmo e as carinhas de tédio voltaram. A cada volta, uma carinha mais chateada. Dessa vez, nada de pedir para "o moço parar". O brinquedo estava cheio de crianças de dois e três anos, divertindo-se, como elas curtiam, até pouco tempo.
Passado o tempo do carrossel, desceram do brinquedo com carinha de quem não sabia mais se era criancinha pequena ou maiorzinha. De quem não se identificava mais com o brinquedo, não entendia o que era agora. Mas que compreendia que tinha crescido e que não cabia mais ali. O Du também estava assim, meio melancólico. Ele, inclusive, acordou no outro dia com aperto no peito e tudo. Sei que foi isso. Eu, um pouco mais preparada, mas também sentindo tudo isso, me apertei mesmo foi quando elas quiseram andar conosco num outro brinquedo, um negócio que tinha botões para levantar e baixar, onde, num meio de um surto, eu pedi, pelo amor de Deus, que a Marina não apertasse o botão e aumentasse a altura, porque senão eu é que gritaria "Moooço, eu quero descer! " É, está aqui outra que sentiu que ali também não era o seu lugar. Apesar de eu ter crescido bastante, confesso que aquele brinquedo era muito grande para mim.

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9:34 PM
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Domingo, Setembro 24, 2006

O que se vê além dos olhos

Vi na internet, na semana passada, que está acontecendo um grande levante no mundo fashion. E isso não me saiu da cabeça. Não me considero alguém muito ligado à moda, mas o que se viu, chamou a atenção: as modelos com sub-peso foram proibidas de desfilar na Espanha. Iniciativa que pode ser seguida por Milão também. Ou seja, um passo muito importante para que a anorexia e outros sérios distúrbios alimentares sejam menos estimulados entre as nossas meninas. Ao mesmo tempo, empresas de cosméticos como a Natura e a Dove, através de campanhas publicitárias muito legais, têm prestado um maravilhoso serviço à sociedade, se preocupando em valorizar a auto-estima das mulheres, começando pelas meninas, desde cedo. Mostrando que a gente é bonita do jeito que é, não precisando ser magra, loira, ter olhos claros ou um corpo de Barbie para isso.
Falando em olhos claros, lembro que algumas pessoas olhavam para as meninas, quando bebês, e me diziam, aparentando decepção: "que pena que não puxaram aos teus olhos". Eu só respondia que adorava os olhinhos delas e pensava comigo que, me parecendo que algumas pessoas valorizavam tanto os olhos claros, que as minhas duas filhinhas teriam tido mesmo sorte de ter os olhos da mesma cor e não uma com olhos azuis e a outra, com castanhos, para que não houvesse nenhum tipo de discriminação.
Hoje, com esse início de consciência mundial refletindo que a beleza não precisa ser uma coisa padrão, rotulada e etiquetada, eu volto à questão dos olhos e digo: sim, a beleza está nos olhos. Mas não na cor deles. E sim, lá dentro dessa janela da alma que são os olhos. Nesse lugarzinho onde se dá para ver se a pessoa é alguém legal ou não. Para mim, beleza está ali, no contato, no olho no olho, no ser gentil, íntegro. O resto se compra em farmácia, sabe?

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4:25 PM
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Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Caídas de cabeça

Às vezes, parece que é preciso não dormir para acordar para algumas coisas. Pelo menos, em muitos dos momentos onde eu estive bem sonolenta, apareceram idéias e insights interessantes.
Lembro de um período quando as meninas tinham uns dois aninhos. A gente ainda dormia pouco, porque elas acordavam várias vezes durante a noite, como a maioria das crianças pequenas. Eu literalmente caía de sono na hora de contar as historinhas à noite para elas dormirem. Muitas vezes, olhava e via que faltavam muitas páginas ainda e parecia que não ia conseguir ler tudo. Qualquer história era imensa para mim. Logo eu, que sempre adorei ler. Contudo, a última coisa que eu queria era trocar o livro pela tv, porque sei que a leitura ajuda demais no vocabulário, no estímulo à imaginação, na criatividade. Então, teimosa e cansada, eu continuava contando histórias para as pequeninhas, pegando no sono e acordando no susto, com as minhas muitas caídas de cabeça.
Um dia, me dei conta de uma coisa muito simples, mas que foi bem importante: a melhor forma de contar a história até o final era pensar que eu primeiro tinha que acabar a frase que estava lendo. E assim com cada uma das frases que se seguiam. Começava o texto sem pensar nas próximas páginas, mas com o pensamento só até o próximo ponto final. Foi muito bom. Consegui me manter acordada, curtir finalmente esse momento como eu queria e dar uma boa enganada no sono.
Aí, comecei a pensar nisso em outros momentos da vida e vi que poderia utilizar essa forma de pensar para outras coisas. Um jeito de viver o que eu estava fazendo no presente, foi o que me pareceu.
Dia desses, as meninas (agora com 6 anos) estavam fazendo os temas de casa. A Marina estava bem desanimada com a quantidade de figuras que ainda tinha que colorir. Eu pedi, então, que pintasse o cachorrinho primeiro, que pensasse só nele. Ela pintou e ficou tão bonito. - Agora, pinta o gatinho e te concentra só nele, amadinha - pedi. Ele ficou fofo, fofo. - Agora tu podes colorir a menina, só pensa nela.- Fez novamente e, assim, todas as figurinhas estavam coloridas num instante.
Depois desse dia, sempre que estão fazendo alguma tarefa que considerem mais difícil, elas me dizem: "vou pensar nesse pedacinho primeiro, assim vai mais rápido". E eu balanço a cabeça afirmativamente, olhando feliz para essas duas filhotinhas que conseguiram absorver rapidinho uma coisa que eu demorei quase 30 anos para entender e que só finalmente agora consegui, graças a umas boas caídas de uma cabeça dura. ;)

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3:57 PM
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Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Jogo dos 7 erros

As meninas estão com o costume de acordar e ir para a nossa cama de madrugada. Então, cada noite é uma pequena que está ali no meio. Às vezes, são as duas. Algumas noites, eu até acabo saindo da cama, porque falta espaço. Vou para a cama de uma delas e lá acabo dormindo. São madrugadas bem agitadas essas.
O papai delas leva a pior, porque elas dormem viradas para mim e, com sono pesado, acabam chutando ele, tirando a coberta. Mas, olha, acho até que ele gosta. Dá só uma olhadinha no texto que ele escreveu hoje:

Esta noite foi mais uma daquelas em que acordei e vi ao meu lado uma das gurias. Como sempre a primeira pergunta que me fiz foi: Será a Sô ou a Nina? A resposta poderia ser obtida de diversas maneiras, analisando o nariz, a maçã do rosto, uma pequena pinta que uma possui e outra não, a respiração, forma de se deitar e o sorriso noturno, entre outros tantos detalhes. Mas, mais uma vez neste emaranhado de diferenças, não descobri quem era, mesmo tendo me esmerado na análise.
Cheguei a pensar em me levantar (e olha que isso não seria nada agradável, pois a noite estava gélida), e espiar no quarto delas para ver qual cama estava vazia, quando me dei conta que saber se era uma ou outra que estava ali, não fazia a menor diferença naquele momento. Pois, talvez pelo fato de serem gêmeas, meu amor por elas nasceu de forma única, razão pela qual era verdadeiramente indiferente quem ali estivesse. Afinal, meu sentimento continuaria sendo o mesmo e em dobro.


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2:12 PM
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Segunda-feira, Agosto 14, 2006

Sobre presentes

Gente amada, temos um novo template no ar. Feito com carinho e especialmente para esse cantinho. Esse era um sonho meu, ter uma carinha que só se visse aqui, uma ilustração e um template exclusivo, sabe? ;)
A ilustração, arte inspirada na Marina e na Sofia, é de uma amiga muito especial, a Sil Falqueto. Ela faz coisas maravilhosas. Aliás, tudo o que ela faz é de muito bom gosto, ela tem uma sensibilidade fora do comum. Já o design foi feito sob medida para os posts ficarem mais fáceis de ler, a página ficar leve, harmônica, colorida e cheia de vida é de outra amiga muito amada, a Fernanda Fonseca, a ::Fer::, que consegue traduzir em imagem os sonhos da gente. Quanto talento que as minhas amigas têm! É ou não é para estar assim, inflada de orgulho? :)

E vocês, gostaram?

posted by Ale
2:00 PM
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Sábado, Julho 29, 2006

Ainda sobre o tempo

Talvez porque eu esteja sem tempo, não paro de pensar nele, sabe? Lembrei agora de uma historinha que aconteceu num meio-dia desses.
As meninas se encantaram com uma ampulheta e acabamos comprando uma para cada. Chamamos para o almoço e elas trouxeram os brinquedos novos junto. Até que foi bem providencial. Elas começaram a cronometrar o tempo das garfadas com a ampulheta: enquanto a areia descia, elas iam mastigando. O almoço correu rapidinho.
Só que a Sofia terminou o prato antes que a Marina e ela não gostou nadinha. Aí a Marina desistiu da brincadeira.
- Ô Nina, agora já virei a ampulheta e, olha, o tempo tá correndo, come, come logo essa garfada - falou, provocativa, enquanto a areia descia.
- Eu não quero mais! Pára. - disse uma Marina bem furiosa.
- Não dá. Agora já tá correndo.
- Ah, é? Então, olha aqui! - e deixou a ampulheta na horizontal, parando imediatamente o fluxo da areia.
Pois é, filhotinhas. A mamãe não está tendo muito tempo para a gente ficar junto, né? Não temos brincado muito nos últimos dias, não temos quase passeado ou feito bolo ou biscoitos. Não desenhamos mais, nem brincamos de sapata. Não pintamos, não olhamos mais filmes juntas. Às vezes, nem almoçamos juntas (a mamãe acaba nem almoçando). Puxa, estou sentindo a maior saudade disso tudo e sei que vocês também. Mas essa falta de tempo não é para sempre. É só agora. A mamãe está menos presente porque tem 20 dias para terminar a monografia dela, que é aquele trabalhão da aula da mamãe (da pós-graduação). Ainda tem mais de 100 entrevistas para fazer, um montão de livros para ler, muitas palavras para escrever e não está contente com o que ela escreveu até agora. E a areia do tempo lá, correndo, acelerando cada vez mais. Sabem o que me fez parar tudo agora e pôr um sorriso no rosto (cansado)? É que eu me imaginei fazendo o que a Nina fez: virando a ampulheta e deixando as areias do tempo bem paradas. Para correr só quando eu quisesse. Que maravilha. Tá certo, isso não vai mudar nada no meu prazo, pelo contrário. Estou aqui escrevendo no Mãe de Gêmeas enquanto tinha que estar escrevendo na monografia, mas quer saber? Vou voltar pro trabalho mais animada, porque, gurias, vocês são inspiradoras.

posted by Ale
10:11 PM
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Quarta-feira, Julho 19, 2006

"Amada,
não me aguentei e sentei aqui no micro 5 minutinhos para tentar expressar, com imagem, a ternura que senti com seu post sobre a janelinha da Sofia.
Me tocou tanto, amei tanto que, de repente, as coisas todas da vida, os problemas todos que a gente tem, e até esses mesmos de menina como cair o primeiro dente e abrir a primeira janelinha, tudo ficou leve, tudo.
Tudo é tão simples e tão puro quando a gente aprende com você, ai, se você soubesse...
Fiz assim, de pressa, só para ilustrar a delícia daquele post. E nem posso dizer que o haikai é meu. Foi você quem fez ele assim, com essas palavras,
com essa ternura...
"

Foi a doce Lilli quem escreveu. Mas fui eu que fiquei muito emocionada.
Obrigada pelo carinho. De coração.

posted by Ale
3:19 PM
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Segunda-feira, Julho 10, 2006

Tempo certo

Há pouco tempo atrás...
- Mãe, por que o dente da Marina já caiu e o meu, não? - A Sofia me pergunta, tentando entender porque a irmã está de porteirinha, mostrando a novidade para Deus e o mundo e ela, não.
Eu explico que o dentinho dela logo, logo vai cair, que está até frouxinho, que é só uma questão de tempo.
Ela insiste:
- Mas se a gente nasceu no mesmo dia, por que o dela tem que cair antes que o meu?
- Puxa, filhotinha, mas a mamãe sempre diz que, embora vocês tenham ficado juntas na barriga da mamãe, embora tenham nascido juntas, sejam parecidas, não são pessoas iguais. Cada uma tem um jeitinho diferente, gosta de coisas diferentes, até de cores diferentes. Claro que o dentinho iria cair em dias diferentes, né?
- Mas, mãe, é que a gente tem os mesmos anos...
- Filhota, tu viu aquelas duas árvores de pitanga que a gente plantou no ano passado? Elas têm a mesma altura, mesmo tamanho, mesmo tudo, tudo. E tu viu que só uma delas deu flores até agora? Ficamos bem felizes que vamos comer pitanga no verão. E ainda olhamos para a outra árvore e dissemos que não tinha problema que ela não tinha dado flor ainda e que a gente também iria ficar feliz quando ela tivesse flor, lembra?
Ela fez que sim com a cabeça.
Então - eu continuei - tudo acontece no tempo certo, quando está pronto, quando está maduro. O teu dente também vai cair no tempo certo e a gente vai mostrar para todo mundo, vai fazer festa também, assim como quando a outra pitangueira der flor. Vão ser mais duas festas aqui em casa, né? Ah, mas olha só, se tu realmente quiser apressar a queda do dentinho, pode ficar mexendo nele, que assim ele cai mais rápido.
Ela me responde, com a sabedoria das crianças:
- Não, mãe, vou deixar o dente cair no tempo certo, quando ele quiser.

(Há alguns dias, o dentinho caiu naturalmente e a Sofia, realizada, abriu seu feliz e desdentadinho sorriso para todos. Ah, a segunda pitangueira também abriu uma pequeninha, mas linda florzinha nesta manhã. E todos nós comemoramos muito.)





Eu, sem dente (desenho da Marina)

posted by Ale
5:57 PM
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